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Mostrando postagens de abril, 2025

🔵 Grupo Escolar

 Saiu o local da prova. O exame apenas qualificava a universidade, mas o meu espírito competitivo não me permitiria tirar naquele teste menos do que a nota 7. Além de tudo, aquela era a única oportunidade que eu teria para provar que aquela universidade de péssima reputação era uma excelente instituição de ensino, e não uma “faculdade shopping center” com fama de “vendedora de diplomas”, do tipo “pagou, passou”. Local da prova, aquele edifício sóbrio deveria estar resistindo ao tempo e lembrava uma mansão europeia muito antiga e seria uma locação perfeita para um filme de terror. De fato, o ambiente austero parecia rigidamente hierarquizado, como quando as crianças eram criadas como miniadultos. Encontrei o meu colega de trabalho e curso, entretanto, não descolei os olhos do prédio escolar que impressionava e, pela imponência, deveria ser bastante tradicional. O nome espanhol (Romão Puiggari) remetia às imigrações  e à colônia europeia no coração do Brás, o endereço daquele co...

🌐 Foi o Rafael que falou

 A timidez crônica somada com alguma criatividade não poderia deixar escapar aquela oportunidade. O vacilo alheio era a deixa perfeita para encaixar uma piada de situação, e, talvez, até a professora riria. Provavelmente, exporia o coleguinha de sala de aula ao ridículo, e eu ganharia uma certa popularidade. No entanto, minha inesperada manifestação poderia atrair olhares curiosos. Aquele dilema era muita coisa para alguém com tão pouca idade, entretanto, era um conflito que pesava dois lados da minha personalidade, então, obrigatório para me blindar de eventuais situações embaraçosas. Eu sabia que aquilo tinha o potencial de me fazer sentir num showzinho de “stand-up comedy” no centro de um palco, com microfone e holofote em cima. Eu compreendi que o meu talento talvez servisse apenas para ser redator daquela palhaçada. Contudo, encontrei um “voluntário” disponível e com desinibição suficiente para interpretar a pilhéria. Eu sabia que ficaria satisfeito com o reconhecimento de que...

Missão dada, missão cumprida

 Era previsto, e Nasi, com “S”, (vocalista do IRA), previsível que é, pediu desculpas. Mas… desculpou-se do quê? Em um show, em Minas Gerais, “convidou” os “conservadores” a não irem às apresentações e a não comprarem seus “discos” (SIC). O público atendeu, e shows foram cancelados. Não restou alternativa, o cantor teve que se expor, mostrando que acusou o golpe. Só que em tempos de internet, o videozinho de arrependimento não comove, pelo contrário, só piora as coisas. Visivelmente, Nasi (com “S”) foi obrigado a pedir desculpas. Completamente contrariado, ele conseguiu gravar algo que, apesar da intenção, não parecia um arrependimento autêntico. Lógico, o pronunciamento foi motivado pela ira de trabalhadores a fim de manter seus empregos diretos e indiretos. O resultado foi um Nasi (com “S”) com cara de samambaia sem água, parecendo que fazia pedido de resgate com uma cimitarra do Talibã no pescoço. No mal entendido (bem compreendido e atendido) de Minas, o cantor da banda de ro...

🔵 Vossa excelência

  Partimos para soltar quadrado (empinar pipa) no terreno baldio. Aquele domingo ensolarado convidava qualquer moleque a pular da cama e passar o dia olhando para o céu. Mas a brincadeira só era infantil de acordo com a nossa idade, porém, o cortante na linha transformava a inocente atividade num potencial crime. E foi com esse espírito de competição que cortamos e aparamos um maranhão (tipo de quadrado). Aquele ato era comum e fazia parte de um acordo tácito entre os participantes. Entretanto, o proprietário daquele quadrado apareceu para recuperar o objeto. Com 2 metros de altura, uma raiva incompatível com o caráter lúdico do entretenimento e equipado com um facão, fomos apresentados ao lendário Pantera. O...  senhor Pantera me pareceu levemente embriagado, portanto, como o improvável litigante apresentava um aspecto de quem não bebeu com moderação, quaisquer argumentos seriam inválidos. Sinceramente, bastava enviar qualquer pivete ou uma justiceira com algum instint...

É ruim, mas é bom

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 Bela Gil foi a Cuba. Ela não acabou com a polêmica entre os que acham a “Ilha do Fidel” “du caramba”, e quem vê um cenário desolador; pelo contrário, eu inclusive vejo que trata-se de uma “pobre menina rica” que enxerga uma beleza na estética da miséria. A glamourização da escassez é quando ela diz que ali tem pobreza, mas não tem miséria. A filha do Gilberto Gil relatou a miserabilidade daquele povo, mas falou da dignidade de um jeito que só um teórico da USP seria capaz. Essa é a ótica de quem faz “turismo étnico” em favelas, sabendo que voltará para a segurança com saneamento básico e internet. Também destacou a honestidade e segurança. Quem conhece as ruas de Havana supõe, facilmente, que lá os ladrões não têm vez, pois não teriam muitas oportunidades. Conclusão: o nascedouro de ladrões é um país desigual; Cuba, pelo contrário, é um país onde há igualdade: quase todo o povo é pobre. Acho que agora é tarde demais, mas, fazendo um exercício inútil de recapitulação: quando eu não...

🔵 O fantástico livro de fibras de bambu

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Chegamos ao teatro. Existe um estereótipo de quem se identifica — ou finge — como uma criatura frequentadora de teatros alternativos, saraus de poesia e vernissages descolados, figurinha fácil na Bienal de Arte Moderna, instalação ou performance artística num festival de dança contemporânea, cinema de arte, em uma apresentação de teatro amador ou em algum ato do PSOL. Eu nunca perambulei com o aspecto de bicho-grilo, mas, não sei o porquê, um vendedor de badulaques artesanais viu a oportunidade de alimentar seu capitalismo envergonhado. Então, achando que havia avistado a vítima perfeita, se aproximou. Não precisei acionar o modo culturalmente antenado, engajado politicamente, de mente aberta e com consciência ambiental, porque nesse ambiente, onde quase todos certamente estão representando um personagem, isso virou uma piada interna. No entanto, eu estava disposto a demonstrar interesse nos livrinhos feitos com fibras de bambu. Ela fez o mesmo. Descobri que tínhamos cara e estávamos n...

Vivendo e não aprendendo

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 Vem chegando um bolinho flamejante e uma garrafa apelidada de champanhe, tudo ao som previsto de ‘Envelheço na Cidade’. Isto era uma celebração de aniversário nas “baladas” daqueles longínquos anos 90. Semana passada, num show para saudosistas mineiros, Nasi disparou tudo o que decorou da cartilha esquerdista: bolsonarista, ‘Sem anistia’, fascista, gabinete do ódio, blábláblá. Entretanto, o que deve ter incomodado seus companheiros de banda, foi quando Nasi, o    vocalista do grupo Ira (que tocava ‘Envelheço na Cidade'), vociferou aos bolsonaristas para não irem mais aos seus shows. O problema pior é que os fãs de direita atenderam ao pedido do cantor. Então, algumas apresentações do Ira já foram canceladas. E, dada a repercussão do episódio, isso é só o começo. Para decepção de roqueiros geriátricos, Nasi virou escravo da agenda “woke” e terá que sinalizar virtude eternamente. Só que onde ele se meteu não é tão simples, pois para agradar essa turma que finge ser do bem,...

O Estado sou eu

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 O modo mais eficaz de desmoralizar um tirano não é atacando-o, mas satirizando-o. Foi cometendo um inacreditável ensaio fotográfico que Alexandre de Moraes ajudou a abastecer o estoque de memes, piadas e algumas verdades inconvenientes. Faltou uma voz amiga para estabelecer limites nas referências do tirano vaidoso com pendor absolutista. Com a matéria horrível e as fotos de estética duvidosa, o ministro do STF chegou a lembrar uma caricatura mal feita de Luís XIV, que já é uma caricatura de autocrata. O ensaio fotográfico não precisa ser ridicularizado, ele praticamente implora para que isso seja feito. Existe um dever de ridicularizar a peça de adulação explícita. Se não for devidamente espinafrada, evidencia a aprovação daquele que leva isso a sério. Francamente… Se Alexandre realmente fosse um juiz assertivo, sério, jamais toparia participar de uma ideia tão infeliz. Se bem que os elogios parecem criação própria. Mas o tiro saiu pela culatra, e vaidoso como é, o ministro deve ...