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🔵 O Humberto Ramalho é palmeirense!

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  Fizemos o translado para assistir ao jogo no restaurante anexo ao bar. O vereador palmeirense sabia que a algazarra corinthiana transformaria aquele ambiente sossegado onde decidiu curtir seu “happy hour”. Aquela presença promovia nosso futebol a uma sessão plenária. Antes, um vereador que deveria ser chamado de “vossa excelência” com as “venias” de praxe; agora, ele era apenas um palmeirense que merecia ser humilhado até o fundo da alma pela audiência pública. Seu regimento interno não poderia socorrê-lo no território do proletariado, então, poderíamos submeter o parlamentar, que era uma engrenagem do sistema, ao patíbulo figurativo. Tudo isso, livre de impostos! Houve um decreto tácito, o contrato social estava inexoravelmente quebrado. Iríamos subverter a hierarquia sem Constituição, muito menos regimento. O edil já não tinha a proteção de seu gabinete, onde canetas e carimbos têm precedência sobre punhos cerrados e testas franzidas. A cada gol do Palmeiras, o whisky o ajudava...

🔵 A polissemia do verbo ladrar

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  Recentemente, assisti novamente aos clássicos do “cinema cult” ‘O Homem-Cobra’ e ‘A Gangue dos Dobermans’. O primeiro ganhou o status de estelionato cinematográfico. O segundo só serviu para transformar o Dobermann no “cão chupando manga”.  ***   Há umas 4 décadas, a ficção científica de baixíssimo orçamento sobre a triste figura da serpente humana deu um “upgrade” no meu pequeno repertório de anomalias assustadoras.  Meus estudos de “Ciências e Saúde” ensinaram que é inverossímil um híbrido de mamífero e ovíparo. O grave infortúnio, adquirido por um infeliz, realmente representava uma verdadeira ameaça na minha ilimitada imaginação infantil: esse tipo de produção picareta ainda poderia ser classificada como “realismo fantástico”. Portanto, além de apavorado, eu estava sendo enganado. O filme era nostalgia pura, mas agora estilhaçou minha memória afetiva:  trata-se de um dos piores filmes da história. O filminho ‘A Gangue dos Dobermans’ também atormentava já n...

🔵 A teoria de tudo

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  Como um intelectual “uspiano”, é o momento ideal para problematizar e teorizar o colecionismo do álbum da Copa. Segundo um ficcional arquétipo de especialista da USP, a prova social ou instinto de tribo é a porta de entrada pelo medo de estar perdendo algo. Enquanto neurotransmissor liberado a cada pacotinho aberto, trata-se de gatilho psicológico temático a nível de exploração do fanatismo. No momento em que a figurinha é colada, a ilusão de propriedade do álbum, que deixa de ser uma coisa genérica, passa a ser sua. O gatilho do cassino, como recompensa, ativa a dopamina. Pela aversão à perda e viés de conclusão, o cérebro humano odeia tarefas incompletas. Ter um álbum completo proporciona a mesma sensação psicológica de construir um patrimônio pessoal: leva dedicação, tempo, esforço,  vira memória afetiva. Eis o “Efeito IKEA”, quando as pessoas valorizam mais um objeto quando põem as mãos nele. ***** Décadas depois daqueles 15 anos, abri o álbum de figurinhas da Copa do Mu...

🔵 Saudosa maloca

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Aquele território de brincar demarcado era um microcosmo para análise de comportamentos humanos e organização social. Atualmente, numa análise mais aprofundada, eu vejo aquilo como uma “Faixa de Gaza” pacificada, praticamente vivíamos uma “pax” declarada para a trégua futebolística de rua. Como partidas entre Israel e Palestina, o nosso futebol com golzinho de pedra ou chinelo era literalmente de várzea; portanto, o córrego,  que para a molecada significava apenas uma dificuldade para recuperar a bola, para a família pobre era a falta de saneamento básico passando no fundo do quintal. Geralmente, eu jogava bola naquele pedaço de mau caminho chamado vielinha entre uma mansão e um barraco. O garoto da mansão e o garoto do barraco jogavam bola juntos. Embora fosse evidente a diferença social entre a molecada, não havia qualquer tipo de segregação, “apartheid”  ou “bullying” econômico. Contudo, ainda havia resquícios da escravidão encerrada há apenas um século. Na mansão, o “quart...

🔵 Livros, café e rock

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  Os “roadies” “plugaram” os amplificadores e retornos, afinaram a guitarra e o baixo, posicionaram os microfones e a bateria, pronto. Era só a banda entrar e tocar. O “pocket show” do ‘Doctor Sin’ compensaria o caro desjejum com preço de aeroporto, dando até uma boa vantagem no custo-benefício. Nunca adivinharia que no pagamento daquilo eu estaria comprando o ingresso de um show. Assistir àquela banda enquanto devorava um café e um “croissant” devia ser o que chamavam de “concertos para a juventude”. Sem notar, configurei minha área vip de frente para o palco.  Já havia visto a banda no ‘Hollywood Rock’ quando, ao mesmo tempo, disputava espaço com uma horda de bárbaros e era maltratado pela péssima organização, com seus banheiros químicos parecendo liquidificadores de dejetos. É bom lembrar, um espetáculo sem a palhaçada de sempre, o clichê disfarçado de momento catártico: quando o artista gringo vem ao palco com uma bandeira do Brasil, uma camisa da Seleção e, orientado pela...

🔵 Aventureiros do bairro proibido

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 O carro talvez não vencesse a Serra do Mar, mas já no nível do mar o Gol 86 desistiu de aumentar a altitude. Justamente, a única rua que, num filme de terror, recomendariam não entrar jamais, nunca, em hipótese nenhuma, de jeito nenhum, seguimos a pé e ostensivamente fantasiados de turistas. Aquele quilombo litorâneo atual era o limbo da beira de estrada longe demais da praia e da cidade. À noite, abandonados por um destino que parecia querer testar a nossa resistência mental, seguimos rumo à iluminação do povoado que lembrava uma cidade cenográfica de horror cósmico dos anos 50. Tínhamos que parecer incólumes a quaisquer ameaças, inclusive um possível vampirismo social. Entrar naquele esconderijo misterioso conduzia ao “estranho, bizarro e inesperado” universo paralelo além da imaginação ou simplesmente um bairro perigoso onde não éramos bem vindos.  Entre “náufragos, traficantes e degredados”, ela e eu teríamos que atravessar o apocalipse zumbi para pedir informação a algué...

🔳 Lula e seus amigos

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  Lula, presidente do Brasil, solicitou um encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA); foi recebido um pouco melhor que um entregador de pizza. Flávio Bolsonaro também reuniu-se com Trump e outras autoridades; logo depois, CV e PCC foram “promovidos” a organizações terroristas.  Essa “sinuca de bico" diplomática obrigou políticos, imprensa e especialistas a tomarem um lado, revelando, assim, suas reais intenções. Uma tal de “soberania” foi o coringa utilizado para atribuir alguma nobreza e justificar a não intervenção americana. Com a visita a Trump, Lula, com sua agenda de prefeito ou com encontros secretos noturnos e jantares fora de agenda, confirmou ser um chefe de máfia ou lobista de luxo. Mesmo que não tenha sido Flávio, o “timing” é perfeito e deixa Lula “et caterva” numa inescapável armadilha; a única reação petista foi defender a tal “soberania".  Lula ficou, segundo ele mesmo, triste e, segundo minha análise, nervoso. Como reação governamenta...