O Estado sou eu
O modo mais eficaz de desmoralizar um tirano não é atacando-o, mas satirizando-o. Foi cometendo um inacreditável ensaio fotográfico que Alexandre de Moraes ajudou a abastecer o estoque de memes, piadas e algumas verdades inconvenientes. Faltou uma voz amiga para estabelecer limites nas referências do tirano vaidoso com pendor absolutista. Com a matéria horrível e as fotos de estética duvidosa, o ministro do STF chegou a lembrar uma caricatura mal feita de Luís XIV, que já é uma caricatura de autocrata.
O ensaio fotográfico não precisa ser ridicularizado, ele praticamente implora para que isso seja feito. Existe um dever de ridicularizar a peça de adulação explícita. Se não for devidamente espinafrada, evidencia a aprovação daquele que leva isso a sério. Francamente…
Se Alexandre realmente fosse um juiz assertivo, sério, jamais toparia participar de uma ideia tão infeliz. Se bem que os elogios parecem criação própria. Mas o tiro saiu pela culatra, e vaidoso como é, o ministro deve estar muito arrependido e sofrendo demais com o resultado do trabalho, bem como, sua repercussão.
O nome da revista que publicou as terríveis fotografias é: The New Yorker. O nome é enganoso, pois parece ter prestígio nos EUA. Entretanto, o The New Yorker é uma publicação extremamente enviesada. Ou seja, a matéria foi escrita por uma tiete do magistrado.
O resultado, que poderia só ser fruto de um problema de autoestima, foi um estereótipo do vilão de desenho animado, do vilão obcecado por dominar o mundo e aquele dos filmes ruins de terror, só falta a gargalhada diabólica. Ele pode até ter hesitado, mas o fato é que aceitou a infeliz sugestão de vestir aquela inútil capa. Isso, é claro, corrobora a minha tese do vilão cômico.
Basta ler algumas linhas para concluir que Alexandre perdeu o senso de proporção, portanto, apesar de, como juiz, aplicar uma dosimetria que pesa mais a mão em manifestantes do que em traficantes, ele se vê herói, não um vilão, ou coisa pior. Os transtornos que lhe acometem, embora pareçam truques zombeteiros de inteligência artificial, geram delírios nazistas e declarações de guerra aos EUA que somente um médico experiente pode tratar, porém, esse grau de perturbação mental deve ser tratado com medicamentos pesados.


