Pobre menina rica
Fundo negro, efeitos sonoros de pânico e uma jovem de testas franzidas. Tudo igual os vídeos do Nikolas Ferreira.
Para não variar, temos a eterna vitimização. A neta do Lula até que fotografa bem e faz a cara de “futuro da Nação” tirando satisfação com os adultos, tipo uma Greta Thunberg sem barco. Também deve ter descoberto que, mesmo que ilegítimo, demonstrar preocupação com o meio ambiente, direitos humanos e blá blá blá é uma lucrativa sinalização de virtude, bem como xingar alguém de fascista em vez de bobo ou de nazista em vez de cara de melão, como o vovô.
No entanto, a carinha de má, que lembrou o ódio que o avô carrega na cara e no coração, prevaleceu. Quanto à raivinha pelo estado das coisas: basta discutir nas reuniões de família. São louváveis os esforços para encontrar um “Nikolas lacrador”, mas revolta de horário eleitoral gratuito não comove mais.
Porém, a farsa durou até quando a garota falou que o Brasil é escravo dos Estados Unidos há 500 anos. Não sendo os Comanches, os Cheyennes ou os Apaches os malvadões, o país existente desde 1776 fica impossibilitado de, há tanto tempo, manter cativos ao sul do Equador. Que pena. Pensando numa reparação histórica, com esse discurso eu consigo justificar a matança de índios que protagonizei no meu ‘Forte Apache’.
Parte da imprensa tentou atenuar o erro histórico com eufemismos como “gafe” e “confusão”, mas a menina não tem culpa porque não é a autora do texto, ela apenas leu.
A verdade é que nossa mais nova pobre menina rica tem que conviver com a realidade de que pertence a um clã que aprendeu a viver do esforço alheio, bem como era muito melhor quando vivia nas sombras.
Bia Lula, a netinha, poderia resolver a sua sede por justiça social durante o café da manhã, mas sua indignação é apenas “cosplay” de proletário.
