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Mostrando postagens de junho, 2026

🔵 Saudosa maloca

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Aquele território de brincar demarcado era um microcosmo para análise de comportamentos humanos e organização social. Atualmente, numa análise mais aprofundada, eu vejo aquilo como uma “Faixa de Gaza” pacificada, praticamente vivíamos uma “pax” declarada para a trégua futebolística de rua. Como partidas entre Israel e Palestina, o nosso futebol com golzinho de pedra ou chinelo era literalmente de várzea; portanto, o córrego,  que para a molecada significava apenas uma dificuldade para recuperar a bola, para a família pobre era a falta de saneamento básico passando no fundo do quintal. Geralmente, eu jogava bola naquele pedaço de mau caminho chamado vielinha entre uma mansão e um barraco. O garoto da mansão e o garoto do barraco jogavam bola juntos. Embora fosse evidente a diferença social entre a molecada, não havia qualquer tipo de segregação, “apartheid”  ou “bullying” econômico. Contudo, ainda havia resquícios da escravidão encerrada há apenas um século. Na mansão, o “quart...

🔵 Livros, café e rock

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  Os “roadies” “plugaram” os amplificadores e retornos, afinaram a guitarra e o baixo, posicionaram os microfones e a bateria, pronto. Era só a banda entrar e tocar. O “pocket show” do ‘Doctor Sin’ compensaria o caro desjejum com preço de aeroporto, dando até uma boa vantagem no custo-benefício. Nunca adivinharia que no pagamento daquilo eu estaria comprando o ingresso de um show. Assistir àquela banda enquanto devorava um café e um “croissant” devia ser o que chamavam de “concertos para a juventude”. Sem notar, configurei minha área vip de frente para o palco.  Já havia visto a banda no ‘Hollywood Rock’ quando, ao mesmo tempo, disputava espaço com uma horda de bárbaros e era maltratado pela péssima organização, com seus banheiros químicos parecendo liquidificadores de dejetos. É bom lembrar, um espetáculo sem a palhaçada de sempre, o clichê disfarçado de momento catártico: quando o artista gringo vem ao palco com uma bandeira do Brasil, uma camisa da Seleção e, orientado pela...

🔵 Aventureiros do bairro proibido

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 O carro talvez não vencesse a Serra do Mar, mas já no nível do mar o Gol 86 desistiu de aumentar a altitude. Justamente, a única rua que, num filme de terror, recomendariam não entrar jamais, nunca, em hipótese nenhuma, de jeito nenhum, seguimos a pé e ostensivamente fantasiados de turistas. Aquele quilombo litorâneo atual era o limbo da beira de estrada longe demais da praia e da cidade. À noite, abandonados por um destino que parecia querer testar a nossa resistência mental, seguimos rumo à iluminação do povoado que lembrava uma cidade cenográfica de horror cósmico dos anos 50. Tínhamos que parecer incólumes a quaisquer ameaças, inclusive um possível vampirismo social. Entrar naquele esconderijo misterioso conduzia ao “estranho, bizarro e inesperado” universo paralelo além da imaginação ou simplesmente um bairro perigoso onde não éramos bem vindos.  Entre “náufragos, traficantes e degredados”, ela e eu teríamos que atravessar o apocalipse zumbi para pedir informação a algué...