🔵 Should I stay or should I go
Tudo normal no bar de rock, considerando o estilo da casa. Até que uma turminha de, digamos, delinquentes juvenis adentrou o banheiro. Todos muito loucos, no estilo “nunca me diverti tanto”, ao som de “Should I Stay Or Should I Go” do “The Clash”. Os desajustados começaram a destruir o banheiro no ritmo da música.
Também com pouca idade, achei conveniente aquela manifestação e fui usar o mictório. Sem conseguir segurar o riso por causa da atividade inusitada, fiquei ouvindo a apocalíptica sinfonia da destruição, composta de vários barulhos, inclusive vidros quebrando. A pequena organização criminosa deve ter retornado ao reformatório, bem como o furacão acalmou. Terminado o serviço, os destroços acomodaram e um silêncio abrupto denunciava que coisa boa não viria.
Na saída, notei que o cenário era pior do que eu previa: espelho, “dispensers” de sabonete líquido e papel toalha e demais objetos: todos fragmentados. O que sobrou foi: sujeira, destroços e estilhaços de vidro e... claro, apenas eu como o único suspeito por tudo aquilo.
Do lado de fora, os seguranças já me aguardavam. Sem nenhum sinal dos revoltados reais executores da destruição. Não encontrei alternativa senão calmamente explicar tudo, justificando que se eu conseguisse fazer aquele estrago sozinho seria melhor chamar um padre exorcista.
A balada parou: garçons, músicos, clientes e mais seguranças vieram me perguntar o que havia acontecido. Não sei se meu amigo ficou espantado quando descobriu que eu era o epicentro daquele contratempo que silenciou a casa noturna.
A gangue destruidora não teve coragem de fazer a acareação. Fui dispensado e saí da confusão, como quem caminha tranquilamente deixando uma explosão para trás (imagem cinematográfica).
Sem saber, não só pelo ritmo, a trilha sonora era conveniente: “Should I Stay or Should I Go?”.
