Engajamento de ocasião
Próximo da cerimônia do Oscar, foi fácil achar o Wagner Moura falando sobre Bolsonaro, assim como foi difícil flagrar o ator comentando sobre seu filme.
Apesar de vencedor de prêmios e candidato ao troféu”estadunidense”, mister Moura parece politizado e muito à vontade no tema porque só fala sobre política com viés progressista.
Mentira! Ele vive disso. Wagner aparece “beijando a mão” do Lula, mas poderia ser outro, bastava pagar bem. O ator também bebe da estética dos tempos da ditadura, apesar de ter nascido em 1976. Destaque: a Ditadura já demonstrava a fraqueza dos seus estertores.
Parece plausível: se fosse rentável, Wagner Moura resgataria os temas anacrônicos do Brasil Imperial, República do Café com Leite ou Getúlio Vargas. Portanto, o excelente ator apenas interpreta um papel em tempo integral.
Sendo simpáticos à “mão que balança o berço” ou “lambendo o dono que coloca as tigelas de ração e água”, têm os artistas de vídeos engajados, de denúncia ou apoio. Oportunistas, o “Salve Amazônia” notabilizou-se pelo “timing” eleitoral.
Alguns artistas têm disposição voluntária para pagar o pedágio ideológico para não ficarem desenturmados e sem trabalho; outros ficam sem jeito de dizer “não” à solicitação de um Caetano Veloso ou são intimidados pelo enquadramento da Daniela Mercury.
Uma galerinha esperta entendeu que sequestraram pautas sensíveis: meio ambiente, defesa de minorias e pacifismo. E é aí que se escondem canalhas e interesseiros, que tentam se diluir entre corações e mentes genuinamente preocupados. Mesmo agindo diferente de como falam, a sinalização de virtude prevalece.
A classe artística, da qual Wagner Moura faz parte, sabe disso, então, apesar do conflito mental e dissonância cognitiva, basta fingir que reza a cartilha esquerdista, discursar uma narrativa lacradora cheia de sinalizações de virtudes e de vez em quando gravar um videozinho para agradar a turma.