Pamonha
Desde que os Estados Unidos ”vieram pra cima” do Brasil, como fungo após a chuva, surgiu um nacionalismo muito falso e parecido com o “Ame-o ou deixe-o” do Regime Militar, bem como uma soberania oportunista e seletiva. Parte do jornalismo tentou nos convencer de que de repente o nosso país deu um inédito salto desenvolvimentista, ficando melhor que a Terra do Tio Sam.
Fugazes, essas manifestações seriam hilárias, porque demonstram o desespero governamental; mas são preocupantes, porque contam com ressonância na imprensa e condescendência adesista de parte da população.
“Novidades” disparadas pela imprensa amiga do governo: As instituições do Brasil funcionam melhor que nos EUA; segundo o instituto de pesquisas Nexus, 50% dos brasileiros acham o governo dos Estados Unidos mais autoritário que o da China.
Estes são apenas alguns exemplos da malandragem semântica e do ”espancamento” estatístico para corroborar uma narrativa. O “acham” já denota uma dúvida conhecida como “achismo”. Portanto, na pesquisa, a conclusão seria mero chute, se as respostas não fossem propositalmente direcionadas.
Um excelente exemplo de como a realidade destrói a narrativa construída: na rádio CBN, uma repórter correspondente afirmou que, na Casa Branca, Donald Trump é mais querido pelos funcionários que Barack Obama. Como assim?! Trump sempre é retratado exibindo uma carranca mal-humorada típica do “laranjão” que só dança balançando as mãos, não aparece tocando nenhum instrumento e jamais ostenta um sorriso norte-americano, diferentemente, claro, do próprio Obama.
A padronização da notícia é chamada de “carro do briefing”. O nome estrangeiro é uma junção desses carros que passam em frente de casa avisando que “está passando o carro do morango”; o “briefing” é um “guia de instruções” do que deve ser executado. Ou seja, é um sinal para disseminar uma “notícia” favorável ao governo. Importante: a fonte é o próprio governo.
Tá bom assim?
