Saudades da Cracolândia
De repente, a Cracolândia apareceu vazia. A Prefeitura de São Paulo “matou no peito e saiu jogando”, ou seja, anunciou que acabou com o endereço. Em partes, porque os que insistem em consumir drogas na rua continuam pelas ruas da cidade.
O mais curioso que surgiu foi o manifestante reclamando a falta daquele cenário pós-apocalíptico. Essa turminha andava meio sumida, talvez com a existência invencível de um local livre para uso de substâncias ilícitas. Outra hipótese plausível, mas não confirmada, é que alguns, ou muitos, ganhavam a vida com aquele “zoológico humano” de mazelas sociais
As figuras que brotaram fingindo preocupação humanitária não se importam quando os “noias” vivem como zumbis. São os dependentes dos dependentes. Afinal, como classificar quem se denomina “Craco Resiste” e já ofereceu aos viciados um tal “goró grátis”?
Enquanto somem os usuários ao ar livre, aparecem os oportunistas e suas ideias de jerico. Entusiastas de “soluções” como a desastrosa”Minimização de Males” (Bolsa Crack), surgiu um tal Grupo de Trabalho Interinstitucional sugerindo as “salas de uso supervisionado”. Agora vai!
Acabou o “happy hour” de muitos, destruíram um ecossistema, inviabilizaram um habitat e dispersaram uma representação da sociedade que legitima a existência de uma modalidade de parasita que será obrigada a trabalhar (os dependentes dos dependentes). Que absurdo!
Chegou a vez dos defensores da destruição alheia, apareceram aqueles que querem uma eterna zona livre para o consumo de drogas na porta da casa dos outros.
Provavelmente, a “Zumbilândia Paulistana” não acabou, mas vieram à luz umas figuras que despertaram uma curiosidade: os defensores da Cracolândia.