Impostinho
Guilherme Boulos montou sua “ágora” portátil; uma invasão coordenada ao banco ‘Itaú’ da avenida Faria Lima, em São Paulo, foi desencadeada; o arsenal de propaganda petista está bombardeando os brasileiros. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo! Por se tratar de tática de guerra de informação, as ações coordenadas não são aleatórias, buscam exaurir a capacidade de raciocínio lógico, portanto, direcionar a opinião pública. Mas essa manipulação apenas era possível num Brasil analógico e de informação centralizada.
Todo esse preâmbulo se refere ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Para tentar emplacar mais esse tributo, o governo federal quer convencer de que o IOF só tira dinheiro do que chamam de “super ricos". Esse discurso ficou anacrônico.
Lula fez carreira promovendo a luta de classes. Entretanto, a técnica malandra de “afanar a carteira e gritar pega ladrão’” não funciona mais. Culpar os “bilionários" ou os “super ricos” já funcionou como “apito de cachorro” para a turba enfurecida dos proletários identificar o inimigo. Ultimamente, o eufemismo “impostinho” servia como técnica para suavizar e associar uma certa simpatia ao termo pesado.
Boulos confrontou-se com a realidade da “voz rouca das ruas” e teve que ceder o microfone para um popular desmenti-lo. Enquanto isso, uma multidão revoltada invadiu uma agência do banco ‘Itaú’ da Faria Lima. A avenida Faria Lima, em São Paulo, virou um símbolo do “capitalismo malvadão”; os bancos são demonizados por quem os beneficia: Lula. Curiosamente, o governo federal quer que o povo se manifeste pedindo mais… impostos. Como a discussão política extrapolou os jornais especializados e ganhou os bate-papos de boteco, o protesto do ‘Itaú’ ficou parecendo piquete cenográfico da “Praça é Nossa”.
Conclusão: o governo federal precisa de mais dinheiro da gente para precisarmos de mais dinheiro “dele”.
“Não existe dinheiro público, existe dinheiro do público”
(Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica)
