Nunca mais
Uma das coisas mais ridículas e inócuas que alguém pode fazer é votar por telefone para uma música entrar no “hit parade”, “as ++” ou “as mais pedidas". Mas, ignorando as leis do mercado, eu resolvi influenciar o ’Disk MTV.
Somando a inocência da pouca idade, o entusiasmo por conseguir sintonizar a recém-criada MTV brasileira e a ansiedade por querer assistir ao clipe novo do ‘Faith no More, fui ao telefone público. Eu realmente achava que a minha ligação faria diferença no ‘Disk MTV’, trabalho que a indústria fonográfica já devia ter feito.
Aquele gesto realmente parecia importante para emplacar o videoclipe e dar um empurrão para o sucesso do grupo. Embora meu gosto musical ainda não fosse dos mais apurados, eu não podia ser cobrado pelo barulho e destruição do clipe’ Falling to Pieces’. No entanto, eu estava decidido a interferir na programação da “music television ". Parti, acreditando que o meu voto era imprescindível para a execução daquele videoclipe.
No Rio Grande do Sul, uma gaúcha autoritária me impediu de assistir ao ‘FNM’ no ‘Rock in Rio’, em 1991, e conhecer “Falling to Pieces”. Aquele pleito era a minha oportunidade para fazer aquela reparação histórica, então, era chegada a hora de franquear aos telespectadores a execução daquele clipe. E eu só tinha uma ficha telefônica e a ilusão de compor o “hit parade” da MTV. Bastava eu “depositar” o meu voto, voltar para minha casa, ligar a televisão e esperar a minha música favorita. Com muita fé, os prognósticos seriam computados, então, obrigariam o programador a rodar aquela maldita fita.
O certame não foi disputado. Logicamente, foi como no dia anterior e provavelmente seria no dia seguinte. Mas eu quis acreditar que a execução daquele filminho musical só foi possível por causa da minha motivação para contribuir na eleição da canção.
