O ano da colheita
Ato de Soberania Nacional, organização da USP (Universidade de São Paulo) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O nome pomposo merecia a entrada de um general cheio de medalhas, mas é só mais um ato chapa-branca tentando falsificar a realidade.
Esse tipo de manifestação tem cheiro de mofo ou naftalina. Estava presente aquela turma com cara de “juventude grisalha” e petistas históricos querendo reviver aqueles bons tempos de movimento estudantil ou com os braços trançados, formando uma comissão de frente progressista que se nega a deixar os anos 60. Só não foi mais contundente, porque seria paradoxal uma luta armada desarmamentista.
A OAB resolveu agir como mais um sindicato petista e só justificaria sua mensalidade se tivesse uma colônia de férias; a faculdade de direito da USP, no Largo São Francisco, está se apequenando tão rápido, que já é mais conhecida pelo calote do 11 de Agosto, atenuado como o Dia da Pendura. A presença de políticos petistas, sindicatos petistas e entidades da sociedade civil petistas explicam o caráter partidário do evento.
O PT encontrou o seu nacionalismo pretendido, porque identificou um inimigo: os Estados Unidos. Porém, confunde o cliente, fingindo que o ódio a outro país é o mesmo que patriotismo, em vez de nacionalismo.
O verde-amarelo de ocasião poderia ser manifestado mais cedo, por exemplo, quando a Bolívia “nacionalizou” a divisão de gás da Petrobras; cobrando pela construção do Porto Mariel em Cuba e o metrô de Caracas na Venezuela. E por que interveio nas eleições de outros países? E por que está “vendendo o Brasil” para a China? Mas a palavra “soberania” é o equivalente ao termo “democracia”. E tende a aumentar o discurso de que tudo é em nome da “soberania”, como foi, e ainda é, com “democracia”.
A conclamação lulista é imbecil e “assopra um apito de cachorro” que cega os mais sugestivos. Isso historicamente provocou a Guerra do Paraguai, a Revolução de 32 (Ouro para São Paulo) e a Guerra das Malvinas.
Esse papo de “saiam às ruas”, “vistam verde e amarelo” e "soberania" é a versão petista dos estertores do governo Collor. Não tem disfarce: está claro quem quer a soberania de um partido ou do País. Plantam soberba e querem colher soberania.
