🔵 "Sem querer fui me lembrar..."


 

Hoje, acredito que o Ratão era o último romântico, mas para a turma da classe, ele era de outro tempo, uns 50 anos atrasado.


Tatiane só poderia ser o elo mais fraco de uma família vítima da hiperinflação, portanto, foi despejada naquele cemitério de futuros, depósito do ensino obrigatório e última tentativa daqueles guarulhenses catequizados conseguirem alguma alfabetização.


Pois bem, algum plano econômico frustrado encheu a ralé de amor platônico. E como santo de casa não faz milagre, nossas colegas devem ter estranhado aquele comportamento bobo e esquisito dos meninos.


Ratão, o pretendente, chegou na frente. Porém, provavelmente ouviu discos do Julio Iglesias e assistiu a uma novela, então, avaliou mal sua estratégia de aproximação. Sim, Ratão, o cavalheiro, vendo a novela das oito, viu um galã conquistando uma bela atriz e achou que poderia fazer o mesmo: foi à floricultura mais próxima. Pronto, tínhamos nosso pequeno amante à moda antiga, do tipo que aínda manda flores.


No grande dia, não poderia ser discreta aquela movimentação: carregando um enorme maço de flores, alguém entrava na escola. E não era Dia dos Professores!


Em uma mulher não se bate nem com uma flor, mas o Ratão foi espancado pela Tatiane com um ramalhete. A sala de aula virou um auditório, todo mundo queria ver o que acontecia naquele palquinho. Naquele ano, talvez o melhor acontecimento tenha sido a “ramalhetada” no Ratão.


Ninguém obteve sucesso com a menina, mas assistir ao Ratão com sua visão ofuscada por pétalas de rosas era a melhor coisa que poderia acontecer em toda a vida. Ainda estávamos na fase que, mais do que vencer, é bem melhor ver o time adversário perder.


Tatiane arrasou o jardim do pobre Ratão, o aprendiz de Don Juan. Confesso que eu, como meus outros concorrentes, adorei aquela cena, então, ele teve o que mereceu. Talvez tenha sido o melhor acontecimento da 5ª série.

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