🔵 Um dia...

 


Se raciocinasse, até o despertador se surpreenderia quando eu pulei da cama. As pupilas dilatadas facilitavam o deslocamento pelo quarto escuro e evitavam colisões, além da luz do sol que vazava pela veneziana.


Era dia de Educação Física, e isso fazia eu dizer com orgulho a frase: “Vou à escola”. Ao contrário, era o ânimo demonstrado à tarde com a iminência das matérias: Matemática e Português. A competição matinal era o que me estimulava a celebrar o toque estridente do despertador, ignorar a preguiça e correr para a escola sem que precisasse me movimentar depois de sucessivos avisos.


Pela manhã, aconteciam várias coisas além do ‘Telecurso’ e os noticiários contando como foram os crimes da madrugada. Só a bola de futebol parecia capaz de fazer eu participar daquele mundo que já estava em pé antes das 11:00.


Aos 13 anos, o argumento de que dinheiro não dava em árvore carecia de provas, portanto, era insuficiente. A boemia ainda não era uma justificativa convincente, então, eu não tinha outra saída e atribuía a preguiça de levantar ao peso do cobertor.


Talvez aquela fosse uma modalidade irracional de humilhação, um dos sinais de que eu não fazia mais do que obrigação de levantar àquela hora: me vendo em pé, até o meu cão se levantava e ía correr no quintal.


Achei que tinha acordado cedo, mas o dia já estava acontecendo, até o sol já vencia a manhã fria. Sem que eu soubesse, meus pais trabalhavam para que eu jogasse minha bolinha nas aulas de Educação Física.


Como esperado, o professor não compartilhava seus conhecimentos. Justamente, era isso o que queríamos: que o professor deixasse uma bola na quadra, pegasse um café, abrisse o jornal e só desse prova de vida no fim da “aula”.


As traves sem redes, o piso de cimento e as marcações desbotadas, enfim, toda aquela precariedade não desanimava quem estava acostumado a jogar em campinhos de terra.


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