🔵 Uma Kombi carregada de tristeza

 


Em 1993, o Corinthians tinha tudo para ganhar a final do Paulistão, deixando o Palmeiras seguir o 17º ano sem ganhar campeonatos. O Porco teria que ganhar no tempo normal e na prorrogação. Impossível! Eu, na certeza da vitória, comprei o ingresso para a numerada inferior do Morumbi, a fim de invadir o gramado após o apito final. Eu atravessaria o gramado de joelhos, bandeira nas costas, como em 77. Tinha certeza, eu seria uma espécie de torcedor símbolo, a minha imagem seria reprisada sempre. Aquele jogo seria histórico, porque manteria o Palmeiras, nosso principal rival, em jejum.


Tudo roteirizado e armado, porém esqueceram de “combinar com os russos”, ou melhor (pior), com os palmeirenses. A partida foi um desastre. Tempo normal: 3 a 0. Nem fiquei pro final da partida. Como se cada gol do adversário fosse um soco, fugi daquele estádio antes do nocaute.


No entanto, a lotação tinha uma televisãozinha sádica exibindo um torturante “último prego no caixão” e o fim do sonho de invadir o gramado. Tentei fingir indiferença com o trágico jogo.


Contudo, a camiseta deixava óbvio que eu era um corintiano frustrado evadido do Morumbi. Saí rápido dali, antes que a surra (figuradamente) que meu time estava levando, dentro de campo, virasse um espancamento (literalmente), nas proximidades do Cícero Pompeu de Toledo, apenas por eu vestir uma camiseta do Timão. Não deu muito certo. O ronco do motor da Kombi tornava aquela viagem ao Centro interminável e dramática.


Aquela Kombi estava lotada de tristeza. Todos, principalmente o motorista, sabiam que aquele carro estava transportando uma pesadíssima carga de corinthianos derrotados, portanto, futebol era o assunto que deveria ser evitado.


Clima pesadíssimo. Uma nuvem carregada devia estar acompanhando aquele veículo por pontes, viadutos, ruas, avenidas…



Postagens mais visitadas deste blog

🔵 236-0873

Curtindo a vida adoidado

Pamonha