Zé Povinho


 

Íamos ao teatro do Sesc Consolação. O palestrante era obscuro: José Miguel Wisnik. Digamos que esse músico e professor da USP era um “pop star”  da TV cultura e Rádio USP. 


O pessoal da faculdade provavelmente ficaria mais entusiasmado se o palestrante fosse um ex-Big Brother qualquer. Contudo, avisar que o convidado para palestrar era aquele senhor que estava sentado ao lado da minha amiga foi o suficiente para transformá-lo numa celebridade instantânea.


Horas depois, nem os canapés e a champanhe falsificada me convenceram a ficar no evento após a palestra do novo ídolo.


No dia seguinte, meus colegas universitários narraram como foi a conversa durante o coquetel. Todos contavam uma intimidade espantosa, cumplicidade até, durante o bate-papo com o astro intelectual.


Naquela noite, José Miguel Wisnik não encontrou seus pares para discutir a sociedade pós-moderna, os rumos da Humanidade ou os pensamentos de algum filósofo, mas foi encurralado por uma gangue de primeiranistas da UNIESP, com os quais foi obrigado a dividir seus conhecimentos.


A conversa deve ter passeado pela nata da resenha de botequim, diferente dos papos-cabeça que deveria ter com seus interlocutores acadêmicos.


Mas José Miguel Wisnik poderia estar procurando exatamente isso. Enfadado de colegas exibindo currículos extensos, carregando pilhas de certificados e títulos, ele só queria ter acesso ao mais puro assunto rasteiro. Portanto, apenas saber quanto foi o jogo do Corinthians, escutar piadas chulas e saber dos palpites do jogo do bicho. E eu tinha certeza: com meus colegas, o professor esteve em boas mãos.


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