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Algumas complicações talvez fossem dificuldades oftalmológicas, mesmo que também motoras, afinal, tudo surgiu juntamente à vista dupla. Como o relato em casa do que estava acontecendo não surtia efeito, fui ao médico oftalmologista, achando que a complicação era por causa da falta do uso dos óculos.
No consultório, o médico surgiu. A primeira impressão do que vi, me deixou ressabiado. A cara de fugitivo de manicômio não assustaria muito, contanto que o diagnóstico fosse preciso e animador. A real preocupação começou quando notei algo muito errado com o homem de branco.
Com a proximidade da traquitana para “as vista”, ouvi os intermináveis estalinhos bilabiais que o médico disparava. Certamente, numa distância socialmente aceitável eu não teria percebido o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Mas com a proximidade do exame oftalmológico, eu ouvia muito próxima e com muita frequência a emissão dos estalinhos. Isso só me deixava mais nervoso que o iminente diagnóstico.
Era assustador ter que admitir, mas o responsável pelo tratamento talvez fosse beneficiado pela política antimanicomial. Pior, um fugitivo de algum sanatório para pacientes psiquiátricos de alta periculosidade. Lógico que fiquei apavorado ao constatar que o doutor precisava de tratamento urgente.
A espera pelo laudo causava angústia à medida que só aumentava a suspeita de que o resultado não seria nada animador. Eu quis me tranquilizar, tentando me convencer de que nada poderia ser mais grave que um doutor com tique nervoso.
Sem saber se seria medicado, hospitalizado ou pereceria, dei o fora dali antes que eu saísse do consultório produzindo sons involuntários como o TOC do “médico maluco”.
