🔵 Era uma vez no Sul de Minas


 

Apesar de parecer, não era época nem hora de Folia de Reis. Portanto, aquela algazarra só poderia ser folia de paulista.

Aqueles bandeirantes do século XX venciam a rodovia Fernão Dias e ocupavam as subidas estreitas das ruas e vielas da  cidadezinha de Minas Gerais. O falatório feria o silêncio, mas era mais um fim de semana prolongado, e os turistas de São Paulo invadiram o povoado de Machado.

Com a madrugada avisando que iria amanhecer logo, alguém desviou o comboio para a rodoviária. Naquele horário noturno, era o único local aberto em Machado, talvez em todo o Sul de Minas. Aquela argamassa recheada e a água gaseificada formavam uma dupla imbatível e campeã das madrugadas: cigarrete e sodinha. Só mesmo o instinto de sobrevivência para encorajar a trupe a enfrentar o frio rumo à saída daquele ajuntamento de casinhas. 

O contraste entre os que iam ao trabalho e os que transbordavam álcool e estórias era tão provocativo que quase virava confronto. Era quando o silêncio contemplativo começava a anunciar o encerramento das atividades de entretenimento.

Entretanto, sempre surgia um espírito zombeteiro que propunha gincanas gastronômicas. Devorando o cigarrete frito na hora, se entupindo de sodinha sabor limão, sem ter o que fazer, com a cabeça vazia de ideias construtivas e estacionada na 5ª série, o desafiante da noite manifestava-se: enxergando alguma iguaria étnica de rua da Índia ou Tailândia (espetinho de escorpião ou sopa de larvas), duvidava que alguém comesse aquilo. 

Sempre tinha quem, com estômago resistente, aceitasse o desafio, querendo provar algo ou apenas com fome. Quando a “criatividade” chegava ao nível do besteirol, era o momento de ir embora, antes que a cidade amanhecesse.  Os guardanapos amassados e os vasilhames de sodinha sobre o balcão denunciavam que a rodoviária recebeu uma visita boêmia. 

A Festa de São Benedito era a confluência mineira que fazia com que os mais novos pedissem “bença” para os mineiros antigos.

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