⚫ Eu conheço cada palmo desse chão
Esse cara faz jus ao nome: seu aspecto agressivo parece ter apelidado o veículo pesado para transporte de cargas. A sigla FNM (Fábrica Nacional de Motores), que deu fama ao bicho, batizou o possante com um nome tão pesado e jurássico quanto a burocracia estatal. Tinha um “jeitão” de que decidia movimentar-se mediante a papeladas, carimbos e autorizações. Não era, mas tinha uma robustez soviética.
Todo errado, possuía a maçaneta, bem como a abertura da porta, invertida. Sua aproximação causava medo, pois sua “cara” de assassino e o barulho do motor turbinado pareciam perseguir alvos humanos em vez de ser conduzido por um caminhoneiro vencendo estradas.
Cada detalhe parece que foi pensado para causar horror. Essas particularidades amedrontadoras só eram aplacadas quando desembarcava um motorista com características humanas. Mesmo assim, estacionado, com o motor ligado e a “cara” feia, a máquina continuava repelindo qualquer aproximação.
O intimidador possante parecia ter vida própria e, sem a presença de um motorista, assemelha-se a algo sempre pronto para esmagá-lo. Provavelmente, a indústria cinematográfica se inspirou nesse monstro sobre rodas para filmar veículos assassinos.
O caminhão aparenta ter sido planejado para intimidar. As cores geralmente eram “mortas”; a abertura das portas, invertida; o barulho do motor turbinado, amedrontador; e o conjunto de peças e lataria, mais pesado do que realmente era.
Esse caminhão merece o apelido de “Bruto” ou “Pesado”, pois sua aparência e nome transmitem o conceito. Fenemê é o eufemismo encontrado que torna tudo mais leve, sem o peso, a cara feia e a dificuldade estatal.
Símbolo da industrialização getulista, carregou o Brasil nas costas, a partir de 1949. Entretanto, as quebras, consertos e o tempo recolheram o bruto e expuseram-no como item de colecionador. É isso aí, o “pau véio” que ainda era avistado como um OVNI, nos anos 80, se esgoelando numa subida, arrastando uma carga baratinha, tornou-se decoração de valiosas garagens. É um descanso digno
Lembrando uma britadeira, o barulho do motor ameaçador trabalhando avisava que um ‘FNM’ estava por perto. E sempre ameaçador surgia, dobrando a esquina, o caminhão que foi feito para causar pânico.
