🔵 Como vinho
Como não vivi os loucos anos 60, não fazia muito sentido ir ao show da banda dos vídeos em preto e branco. Mas aquele ingresso parecia insistir para obtê-lo.
O Pacaembu estava povoado por figuras no estilo “Hell’s Angels”, doidões confinados nos anos 60 e “tiozões” do tipo “os bons tempos voltaram”, então, logo vimos, estávamos num concerto de rock para uma plateia mais, digamos, madura. Entretanto, como nós, havia um público mais jovem, que parecia ter se perdido dos pais ou se enganado de show. Não teve como vivermos uma tarde sem a sensação de pertencer ao fã clube da Sandy & Junior.
O ambiente revivia os tempos quando grande parte daqueles coroas tinha uns vinte anos, mas a chuva incessante frustrou o “acendimento da locomotiva” — se é que você me entende. Entretanto, como o prato principal era a música do grupo inglês, nem sequer uma tromba d’água interromperia o sonho que não envelheceu.
Contudo, depois do espetáculo, parou de chover, e a cidade ficou iluminada — se é que você me entende. Para muitos, o momento histórico só ficaria completo se iluminado por “leds” alucinógenos. E assim foi feito.
A amplitude temporal colaborava para deixar o grupo musical na “caixinha” de “coisa do passado”, no entanto, os ecos dos loucos anos 60 obrigavam a classificar o grupo inglês com o eufemismo de “vintage” ou retrô. Como era a câmara fotográfica com filme de rolo, utilizada para, num esquema de infiltração e espionagem, registrar o espetáculo.
Literalmente uma boa e velha banda, os ‘Rolling Stones’ são uma banda remanescente dos tempos do mantra “sexo, drogas e rock n' roll”, portanto, era a época onde músicos eram encontrados mortos em quartos de hotel; atualmente, quase 30 anos depois de já ser uma banda considerada velha, eles desafiam a expectativa de vida, as “dor nas junta” e as doenças degenerativas.
