🔵 Comendo como um cavalo
Cheguei no restaurante e churrascaria ‘Tião Carreiro’. O preço era bom e a comida era bem fornida, portanto resolvi arriscar o estômago no lugar com nome de restaurante de beira de estrada.
Mesmo sem caminhões parados na frente, o aspecto lembrava o que deveria ser a rodovia Cuiabá-Santarém. Então, o lugar destoava de tudo o que eu suspeitava encontrar no centro de São Paulo. Confesso que o meu visual era bem discreto, mas não tinha nada a ver com o panorama, digamos, raiz da frequência do ‘Tião Carreiro’. O restaurante estava entre a dura luta pela sobrevivência e as facilidades do “self service”.
Pensei em dar meia-volta quando me senti um forasteiro adentrando um “saloon” no Velho Oeste, porém, àquela altura, seria pior recuar. Aquela espelunca parecia transformar em prato todo bicho que andasse, voasse ou nadasse. No salão, os comensais se apoderavam de seus pratos de modo que pareciam cães a ponto de avançar caso lhes tirasse o osso.
Me servi, achando que seria questão de tempo até me indicarem o caminho do ‘McDonald’s’ mais próximo ou algum outro tipo de “fast food”. Contudo, fiz pose e cara de bruto e espetei o que parecia ser carne de alce, búfalo, antílope ou algum mamífero caçado no Alasca. Como opção, algum pássaro abatido a tiros que, na churrascaria raiz ‘Tião Carreiro’, seria descrito como “ave”.
Na minha frente, um porco giratório parecia me encarar. O “porco no rolete” era a vedete do lugar, no entanto, enquanto eu me alimentei no restaurante, por assim dizer, rústico, o bicho nunca foi dividido.
Pois bem, como não poderia ser diferente, comi como um cavalo. Acredito que consumi proteína animal suficiente para ofender o mais tolerante dos veganos, bem como armazenei calorias para hibernar durante o inverno inteiro.
Já havia terminado, teria que sair dali sem arrumar confusão. O pagamento me ajudou a começar a voltar para o século XXI, na cidade de São Paulo. Contrariando a frequência do estabelecimento, não havia nenhum cavalo amarrado na entrada.
Quando alcancei a calçada, voltei de vez para aquele centro urbano. Diferente do lugar que parecia oferecer animais abatidos com golpes de machado, pedrada ou tiro.
