🔵 Estive em Peruíbe, lembrei-me de você
A vitória do Corinthians no Mundial de 2000 oportunizou uma concessão à irresponsabilidade de sair buzinando e gritando pelas ruas de Peruíbe. Fosse no litoral paulista ou na Inglaterra, as ruas estariam lotadas de corinthianos, ô raça!
Embora o Mundial tenha monopolizado o primeiro dia naquela praia, também trouxe repentinamente uma lembrança nada edificante e que somatiza, automaticamente, um embrulho no estômago, dor de cabeça e tremedeira:
Naquelas areias, a notícia de que era nosso aniversário chegou aos ouvidos da proprietária de uma barraquinha de batidas, raspadinhas, caipirinhas e tudo que fosse demasiadamente alcoólico. Sabendo da efeméride, ela resolveu encerrar o expediente abusando de toda a sua criatividade, e um pouco de bruxaria, adquirida durante anos de preparo de drinques com teor entorpecente.
A “véia” resolveu levar menos peso para casa, de modo que despejou o resto de todas as garrafas nos copos. O resultado foi uma intoxicante “farmácia”, quase tão eficiente quanto injeção letal.
Sem percebermos a intenção macabra e achando ter levado vantagem, ingerimos a bebida flamejante. O início adocicado escondia o metanol disposto a varrer tudo o que parecesse fígado, corroer o sistema digestivo e pulverizar sinais vitais.
Depois de ter entrado em contato com aquele líquido, o objetivo seria evitar a falência múltipla dos órgãos e manter-se acordado e consciente.
Rosa! Sim, a dona do carrinho de bebidas foi batizada com este singelo nome. Nome inversamente proporcional ao dano que podia causar a quem dá valor ao comércio pouco observador de básicas normas sanitárias.
A inesquecível Rosa quase nos assassinou com sua poção mágica nascida da mistura de restos recolhidos do que havia de pior em cada garrafa.
Dona Rosa, a bruxa, com seu drinque diabólico quase se tornou causadora dos nossos óbitos. Instantaneamente, ela fez o trabalho sujo que virose, água contaminada e infecção alimentar praianas demorariam dias.
