Movimentos de massa


 

Por que, mais do que o crime e a violência, as pessoas comuns, pessoas instruídas podem colaborar com algo tão destrutivo sem questionar? 


Porque o maior perigo não é a maldade consciente, é a estupidez coletiva. As pessoas não agem só por ódio, nem por ignorância pura; elas agem porque desistiram de pensar, repetem palavras que não são delas, defendem ideias que nunca examinaram, seguem ordens para não enfrentar a própria consciência.


“A estupidez não nasce da falta de inteligência, mas da abdicação da responsabilidade individual”


Essa abdicação raramente nasce sozinha, ela é aprendida:  repetem discursos sem questionar, a mídia transforma narrativas em emoções, autoridades oferecem segurança em troca de obediência. 


Quando o medo, a propaganda e o desejo de pertencimento dominam, o pensamento crítico desaparece; no lugar dele, surge um comportamento automático, confiante, barulhento e perigoso. A pessoa não reflete, repete; e quanto mais repete, mais normal isso se torna. Essa é a causa psicológica da estupidez e por que, hoje, essa epidemia se espalha de formas diferentes, mas com o mesmo mecanismo.


A inteligência, por si só, não imuniza ninguém de erros coletivos, pelo contrário, em certos casos, pode até servir como ferramenta para justificar o absurdo: exemplo é quando algo fora da realidade é levado a sério porque foi dito por um “especialista”. As pessoas inteligentes aprendem rápido a defender aquilo que já decidiram acreditar; elas constroem argumentos depois da adesão, não antes.


A adesão a ideias destrutivas raramente nasce da reflexão, do pensamento profundo, ela nasce do medo, medo de exclusão, 

medo de perder “status”, medo de enfrentar a própria consciência. Quando esse medo se instala, a pessoa não busca mais a verdade, ela busca abrigo.


Repetiram que houve golpe, isso satisfez o viés de confirmação.

“Garantir a democracia e o Estado democrático de direito”, pronto, eis as justificativas que normalizam a estupidez.


As palavras de ordem vêm de cima: democracia, soberania…. Esses termos são utilizados quando convém, portanto, são evidentes paradoxos.


Essa é a teoria que explica a adesão a “Heil, Hitler” e o surgimento de um dos meus gritos de ordem mais estúpidos que já repetiram: “Sem anistia”.



(Texto parafraseado de Dietrich Bonhoeffer)




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