🔵 Um herói de baixo orçamento


 

Entre o National Kid e o  Jaspion, o Japão escravizou mentes e corações infantis com o Spectreman. O boneco, digo, o herói salvava o Mundo, mais uma vez, a cada episódio. Mesmo que a produção de cada capítulo custasse muito fio de cobre, papelão, plástico e isopor, além de bonecos de monstros inspirados em insetos e répteis.


Essa era a tecnologia japonesa dos anos 80. Fios telefônicos, papelão, plástico e um pouco de isopor eram fulminados para eu acreditar que Tóquio estava sendo destruída. Do jeito que a coisa estava, Guarulhos poderia ser a próxima cidade aniquilada. É claro que eu só era convencido disso depois do surgimento de um lagarto ou inseto gigante ensandecido. Mesmo sendo interpretados por bonecos, os vilões impressionavam a audiência mirim, emprestavam credibilidade e causavam algum pânico coletivo.


Nunca soube que substância simulava os efeitos do golpe mortal do Spectreman, o herói. Suspeito que era “catchup” ou  extrato de tomate, mas qualquer líquido vermelho dramatizou o seriado nipônico e enganou milhares, ou milhões, de criancinhas pelo Mundo.


Dois vilões fixos, eram os macacos Doutor Gori e seu assistente, Karas. Dentro do universo infantil, era aceitável a ideia de dois gorilas pilotarem uma nave espacial e falarem, mas um macaco loiro era demais. Isso só poderia ser efeito de drops de hortelã ou overdose de ‘Mastiguinhas'.


A abertura de cada episódio convocava o japonês Kenji a salvar Tóquio da poluição. O medo da poluição era tanto, que causava pavor passar por Cubatão. No entanto, apesar do pioneirismo, a pauta “lacradora” do meio ambiente não era modinha, então, sem a questão ambiental, a série parecia condenada ao fracasso.


O grande diferencial desta produção era a música de abertura: um rock alucinante enchia de esperança que Spectreman salvaria o mundo mais uma vez, mesmo que, para isso, fosse preciso destruir uma cidade inteira.


Entretanto, atualmente, o filminho permanece obscuro. Meus contemporâneos simplesmente ignoram a saga do herói tosco, porém clássico. Nem sequer tenho o prazer de gritar “não perdia um!”. Quando o assunto é herói japonês, a memória afetiva televisiva é representada pelos oitentistas ‘Ultraman’ e ‘Ultraseven’.


De qualquer maneira, Spectreman não deixou de me traumatizar. Porém, com um pacote de Biscoitos Vitaminados São Luíz sabor chocolate, eu não me importava se Tóquio estava sendo devastada por uma iguana gigante e nervosa, e que Guarulhos estava na fila.


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