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Existia um programa pretensiosamente classificado como de humor chamado ‘Zorra Total’. A vinheta que anunciava o início do programinha soava como um macabro sepultamento da noite de sábado. Mesmo não fornecendo minha audiência ao humorístico, a vinheta significaria que minha noite de sábado se resumiria a uma pizza de frango com catupiry e quatro queijos e uma ‘Coca’ dois litros. A digna alternativa era filme e pipoca.
Já resignado com o desperdício da noite de sábado, animadamente, corria para o banheiro, enquanto as pipocas estouravam. A musiquinha do ‘Supercine’: a senha para correr para a frente da televisão. Pronto. Equipado com uma tigela com pipocas, eu tentava descobrir quem era o assassino no filme. Tudo isso é muito triste. Definitivamente, seria mais animado passar o final de semana jogando Tranca com a minha avó.
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Não tive saída, ‘fazendo sala’ para uma amiga, esperando alguns amigos chegarem, assisti ao ‘Zorra Total’, acompanhando a família da garota. A reação coletiva parecia uma convulsão, um ataque epilético ou uma possessão demoníaca. Todos eles talvez realmente achassem aquilo engraçado, fato que me fez sentir em companhia dos ‘Simpsons’.
Contudo, não foi difícil gargalhar com a situação. Talvez eu tenha sido o que mais riu. Repito: não gargalhei das odiosas esquetes, mas do cenário inusitado. Embora, realmente desconfio se aquela família também considerava aquilo a agonia do humor e um estertor imbecilizante, portanto, ria para não me deixar sem graça. Assim, eu me diverti com as reações absolutamente hilárias.
Aquela família deveria liberar doses acachapantes de algum neurotransmissor ultrapotente desconhecido. Diluído nessa plateia, eu me entreguei a bordões e personagens forçadamente estereotipados.
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Mais estranho foi uma família que acompanhava as histórias dos comerciais. Como, obviamente, as historietas eram demasiadamente repetidas, foram decoradas. Então, os acontecimentos eram previstos com entusiasmo: “Olha lá, olha lá!”. Eu apenas obedecia e prestava atenção. Tratava-se de uma experiência interessante: eu estava enxergando com outro olhar o que antes eram enfadonhos filmetes com o único objetivo de vender.
Antes, esses intervalos significavam o momento de conferir outros canais, beber água ou ir ao banheiro. Como herança da plateia das propagandas, passei a prestar atenção a anúncios de sabão em pó, mistura para bolo ou pasta de dente.
‘Casos de Família’, ‘Teste de Fidelidade’ e as pegadinhas do João Kleber parecem programas escancaradamente combinados, porém, prefiro assistir no meio de uma turma realmente empolgada com aquilo.
