🔵 Tomando conta de um barril
Mais uma festinha e “vá lá em casa, que vai ter um bolinho”. Ainda na vida incipiente, portanto, ainda procurando suprir as exigências do meu paladar infantil, concluí que eu estava tomando banho para ir aonde encontraria bolo e refrigerante. Pelo menos sempre foi assim.
Entretanto, aquela noite seria diferente. Eu e meu amigo, ambos adolescentes, antigos rivais de pião e bolinha-de-gude, fomos apresentados ao barril de chope. Aquela geringonça exercia uma perigosa atração, por isso, eu prefiro descrever o episódio com o eufemismo de “rito de passagem”.
Assim que cheguei, notei que o barril de chope era a estrela da festa, isso despertou minha curiosidade. Tratava-se de uma celebração adulta, portanto, a frequência à máquina do quintal era frenética. A curiosidade aumentava, pois a quantidade de copinhos de plástico aguardando o bombeamento da bebida entorpecente escondia o guardião do próprio barril. No meio do empurra-empurra e braços esticados segurando os copos, começamos a nos servir.
Meu amigo e eu, hipnotizados pelo tal chope e esquecendo do refrigerante, notamos que ninguém zelava pelo barrilzinho de metal. Testemunhando o vazio que ficou o quintal, depois do anúncio do “parabéns”, e vendo que a chopeira ficou sozinha, tratamos de zelar pela novidade.
Assim, o refrigerante não merecia a mesma atenção, e não fui encontrado sequer para receber o tradicional primeiro pedaço de bolo, já que eu estava me embriagando. O brigadeiro já não importava tanto, sempre seria prioritário fiscalizar aquele equipamento maravilhoso que liberava uma água espumante, saborosa, gelada e anestesiante.
Naquele ano, a comemoração foi diferente. Aquela noite significou o encerramento do que eu chamava de festinha ou bolinho. Tivemos que ser recolhidos. Fim de festa.
