🔵 A bruxa da FMU


 

Interrompendo a rotina da Secretaria do Curso de Direito, surgia a bruxa. Apesar do nome assustador, ela não tinha o poder de jogar algum feitiço ou manipular forças da natureza. Só de entrar na Secretaria, praticamente me “obrigava” a abandonar o arquivo, a papelada ou a atenção aos outros alunos. Bastava aparecer com seu vestido preto, crucifixo gigante e olhar loquaz para merecer a preferência no atendimento.


Aquela bela “wiccana” não parecia possuir castiçais, velas, morcegos, sapos, aranhas e um gato preto; mas eu estava convencido de que a “bruxinha” possuía apenas bichinhos de pelúcia, alguns incensos e ‘O Livro das Sombras’, comprado em alguma livraria de shopping. 


Mesmo que com finalidade comezinha, rituais femininos do puro suco da magia de boutique ou feirinha hippie exerciam um fascínio estético. Vestimentas de grife com suposta exclusividade podiam ser adquiridas em lojinhas esotéricas. Porém, aquela imagem não era comum.


Contudo, uma transformação poderosa ocorreria com aquela bruxinha de faculdade. A modinha da religião neopagã “Wicca” não poderia ser mais forte que o “canto da sereia” do… Diretório Acadêmico. Fica parecendo pleonasmo, mas só a partir daí, eu achei que a “Bruxa” estava ficando estranha.


Eternos estudantes de meia-idade cooptam belas jovens em troca de juntar-se aos veteranos com alguma popularidade. Basta espalhar mentiras até virarem verdades, exemplo: Stalin, Lênin, Mao Tsé, Lampião, Mariguella e Che são heróis. Os próximos passos rumo à sinalização de virtude eram: adotar um nome indígena ou iorubá.


Nunca soube quais eram suas intenções no ramo do ocultismo, da manipulação espiritual e adoração de divindades de ‘shopping center’, mas, acredito, ela e sua mentora jamais admitiriam a aproximação de algum picareta com papinhos falsamente inclusivos e em favor da diversidade seletiva, intolerantes que não toleram a intolerância, verdadeiros fascistas contra o fascismo imaginário, “feministos”  e odiosos que se dizem contra o discurso de ódio.


Essa menina surgiu com uma sutil e relativa pureza, típica menina de família ou a "filhinha do papai”; agora era alguém capaz de incinerar a bandeira “estadunidense”, estilhaçar uma vitrine, atirar coquetel Molotov em viatura ou brigar com a polícia.


Parei o trabalho quando a “Bruxa” novamente apareceu. Mas percebi que ela já era vítima de um encanto muito maléfico e duradouro: ela gostou do ataque às Torres Gêmeas, no 11 de Setembro. O Diretório conseguiu capturar a alma da “Bruxa”.


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