🔵 Fraude na educação!


 

O método artesanal promovia aquela cola a um artefato artístico. Não tinha mais jeito, a proximidade do horário de ir para a escola me apressava a produzir um “resumão” da matéria, o sumo do que foi ensinado. Minha pequena contravenção escolar carregava o potencial de turbinar a avaliação. 


Ludibriar todo o sistema educacional era um poder inversamente proporcional à minha retenção do conteúdo programático. O peso na consciência seria rapidamente substituído pelo “upgrade” na próxima reunião de pais e mestres.


Minha busca analógica realmente era um tratado científico que merecia ser aludida como obra artística, mas seria eternamente vista como mera pilantragem. A instituição de ensino provavelmente reprovaria aquele comportamento, no entanto, se eu não fosse descoberto, o colégio elevaria seu nível pedagógico.


Munido daquela trapaça, que foi confeccionada com tanta estratégia e esmero que seria mais fácil planejar o assalto de um banco, eu tinha a segurança para discorrer meus supostos aprendizados.  Sim, recorri àquele magistério para desesperados e a metodologia de última hora para não passar pelo vexame de atrasar o cafezinho de intervalo da professora.


 A dedicação que o pedaço de papel demandou daria uma considerável amplitude  ao meu nível de absorção de conhecimento, isso provavelmente levantaria suspeitas de onde veio aquilo. Para mim, o importante é que a coesão e concisão deu uma simplicidade aos tópicos, o que proporcionaria uma rápida consulta. Aquilo era a engenharia a serviço da malandragem. Meu simulacro de memória era uma incipiente manifestação do jeitinho brasileiro pedagógico.


A manufatura do subterfúgio maquiavélico acabou sendo a maneira mais eficaz e trabalhosa de estudar, por isso a consulta escondida não precisou ser acionada. Fazer uma simples cola como um projetista da NASA me promoveu a um aluno exemplar no corpo de um fraudador do sistema educacional.


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