Master of puppets
Com humor é que se atinge quem se leva a sério demais. E foi com um “teatrinho de bonecos”, encomendado por Romeu Zema, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, saiu do sério. No genial entretenimento animado é fácil identificar os personagens, bem como, a verossimilhança dos diálogos. Os episódios da série até parecem infantis, mas revelam-se um subterfúgio eficaz para atingir “os intocáveis”.
Ao acusar o golpe, o decano do STF — que é a “live-action” do personagem de ‘A Praça é Nossa’, João Plenário — deu vida à versão brasileira do “Streisand Effect”. O “Efeito Streisand” é a repercussão do que judicialmente tentou-se colocar em sigilo. Conclusão: na intenção de abafar a lúdica crítica do Zema, Gilmar ajudou a viralizar e converter em febre o vídeo e alavancar a popularidade do pré-candidato mineiro à Presidência.
Gilmar Mendes, com sua erudição de ‘Wikipédia’, é especialista em conserto de sigilo quebrado e efeito laxativo no sistema de carceragem da amizade. Mas, querendo censurar esquete de humor, ele ressuscitou antigos quadros de piada com ele mesmo e célebres mandatários.
Essa atitude é mais combustível na fogueira que consome a credibilidade na Corte que não merece mais o adjetivo de “suprema”. Os termos “suspeito” e “incompetente” são juridicamente utilizados para se eximir de um julgamento; no entanto, nessa composição da instituição, as mesmas palavras podem ser aplicadas no sentido coloquial.
Esse ministro, que é o mais antigo do STF, sente-se seguro porque possui uma caneta que abre seus caminhos por meio de prisões e multas; suas decisões judiciais obedecem a lógica do
“Quem quer rir, tem que fazer rir”, ou seja, não é Justiça, é “toma lá, dá cá”.
Ao tentar justificar a suprema perseguição, Gilmar Mendes se enrolou: foi xenófobo e autoritário, mostrando como é um “coroné” que chega ao STF.
