🔵 Poder psicológico


 

A “Máfia da 7ªB” só era perigosa no pretensioso nome. Havíamos deixado os tempos em que chamávamos professora de tia, intervalo de recreio e corríamos no pátio. Afinal, nos sentíamos adultos, pois não ganhávamos mais os presentes do 12 de Outubro. Mas aquela turminha com 13 e 14 anos de idade perderia a credibilidade e se recolheria à sua insignificância se tivesse noção de que não passava de um bando de pivetes do ginásio.


Porém, o superestimado poder do grupo permitia àqueles garotos andarem pelos corredores da escola. Talvez poucos alunos de outras salas de aula levassem a sério nossa arrogante inspeção antes que um adulto acabasse com aquilo.


Sem saber, a “Máfia da 7ªB” ocupou o território abandonado pela turma da 8ª, que já se preparava para o colegial. Ignorando essa permissão por absoluta ausência de interesse, ocupávamos aquele espaço achando que intimidávamos a comunidade estudantil.


Naquele 1989, seguimos exercendo o nosso direito adquirido de circular pelos corredores escolares sem sermos importunados. Essa era a única vantagem por estar tanto tempo na mesma instituição de ensino. 


Instintivamente e precocemente, vivíamos a lógica das universidades. No entanto, tudo era silencioso, e a nossa aparência nada ameaçadora faria com que qualquer tentativa de trote escolar não fosse levada a sério. 


Circulávamos achando que aterrorizávamos os corredores do “Jocila” como uma gangue escolar de menores infratores, mas, para nossa humilhação e desmoralização completa, não devíamos ser levados a sério e parecíamos uma “boyband” gravando um clipe.


Seria mortal para a nossa reputação, se os frequentadores da escola suspeitassem que o nosso bando não poderia ir muito além da cara de mau. Mas o importante era sermos os autointitulados integrantes daquela jovem, inócua e desconhecida quadrilha. Para nós, bastaria a falsa imagem.


No ano seguinte, havia acabado aquela ilusão. As obrigações que vinham com a proximidade do colegial nos deixavam mais distantes das irresponsabilidades do primário e da besteira ginasial que foi a “Máfia da 7ªB”.


Nosso único membro realmente intimidador era um japonês que poderia ser confundido com um ameaçador integrante da Yakuza.



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