🔵 Viagem a Monte Líbano


 

Monte Líbano era o nome que eu ouvia na televisão, talvez isso tenha me surpreendido e encorajado a fazer a pergunta semanticamente inesquecível: “A gente tá em Monte Líbano?!” A pouca idade me perdoou por turbinar a importância de estar no mesmo local que a TV tanto falava.


O caminho já deve ter revelado que não estávamos muito distante, porém, o nome “Monte Líbano” não era apenas do time de basquete famoso, era de um país distante. Sim, o acontecimento era que estávamos em Monte Líbano!


Não importava a distância geográfica, a importância daquela ocasião jamais poderia ser ofuscada. “Monte Líbano” era um nome de grandeza bíblica, e nós podíamos pisar aquela “terra sagrada". Pois se no nome do lugar existe um acidente geográfico só pode ter sido o palco de um acontecimento histórico. O “monte” só podia ser coisa do Velho Testamento e do homônimo time de basquete, que homenageava o local memorável, e eu estava tendo o privilégio de estar lá.


***


Minutos depois: a decepção foi proporcional à relevância que dei por não saber que só estava no Clube Atlético Monte Líbano em São Paulo, o clube de imigrantes. Portanto, não estávamos em Monte Líbano, mas no Monte Líbano. Aquela odisseia consistiu somente em cruzar a cidade da zona norte à zona sul.


Não foi preciso coragem para trilhar a “jornada do herói”. Não foi preciso enfrentar bestas mitológicas, nem bruxas poderosas ou infortúnios apocalípticos, só o trânsito e o mau humor paulistanos. Para chegar em Monte Líbano, teríamos que atravessar desertos inóspitos, vencer montanhas íngremes, extensos vales, fugir de guerreiros do deserto e talvez sermos guiados por beduínos.


Entretanto, não tivemos que ir a terras distantes, chegamos ao Monte Líbano, na região do Ibirapuera, só de ônibus e metrô.


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