Agora sim!


 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma mascote da urna eletrônica. Chama-se Pilili. O nome é uma referência ao sinal sonoro que a urna eleitoral emite ao fim da votação.


A “caixinha mágica que fabrica presidentes” vem sendo tratada como sacrossanta, mas passou dos limites ao ser humanizada de forma “infantilóide. O nome onomatopaico é de fácil entendimento, rápida memorização e imediata empatia, porque tão dócil criatura só pode ser coisa boa. Ao infantilizar o eleitor, o governo assume o paternalismo populista.


Essa estratégia já havia sido aceita com outro personagem bobalhão: o Zé Gotinha, que deu um aspecto lúdico e suavizou a vacina. No entanto, a Pilili leva ao paroxismo a imbecilidade eleitoral, fermento que sempre “turbinou” candidaturas.


Como já havia a blindagem da maquininha, que é um sumidouro de votos, agora fica impossível vilipendiar um objeto representado por um simpático, inocente e inofensivo boneco chamado infantilmente de Pilili.


O ato burocrático de votar sempre foi celebrado “bestamente” como “festa da democracia”, somente superado

pelo orgulho inexplicável de apuração dos votos em tempo recorde, mas inauditável: talvez, esse detalhe tornou a adoção da tecnologia ignorada por países mais avançados.


Desse modo, o aparelho é apenas a interface entre o eleitor e a salinha de apuração, onde a mágica acontece. Afinal, sempre faltam os “votos do Nordeste” para garantir a continuidade da “democracia” e “soberania”, pois um ponto percentual está acima de qualquer contestação. 


A tentativa de suavizar a burocracia é um visível paradoxo quando se tem um presidente avesso às tecnologias digitais, exceto, como vemos, para benefício próprio.


Esse tipo de ação (a criação da mascote), em meio a tantos escândalos de corrupção, desvia as atenções com uma alegria falsa. É como se dissessem: Circulando, não tem nada para ver aqui.


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