Duvidar pra quê?
Com a polêmica envolvendo o detergente Ypê, choveram memes supostamente bolsonaristas. Muitos desses protestos, fingindo ingerir o produto químico.
Aproveitando um assunto politizado, Janja deu um jeito de introduzir “detergente contaminado" num discurso falsamente responsável. Ela disse: “Até quando vamos ver gente bebendo detergente contaminado?”.
A fala foi dita com a intenção de criminalizar bolsonaristas, mas serviu de combustível para novos memes e colocar em xeque o diploma de Sociologia da primeira-dama. A imprensa amiga remunerada pelo governo agiu rápido e fez um contorcionismo hermenêutico, colocando a fala entre aspas como se ela tivesse dito o que quis dizer.
No entanto, o menos engraçado e mais grave foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, querendo transformar o assunto ’Ypê’ em ativo eleitoral. Sério e dando dicas sanitárias, ele orientou para não beber detergente.
Esse raciocínio e seriedade devem ter motivado alguns legisladores a colocar aquela plaquinha do elevador que avisa: “Não entrar se o mesmo não estiver parado neste andar”. O mesmo raciocínio deve ter quem obrigou a inscrição: nas embalagens de televisões, “Contém um televisor”; nas embalagens de geladeiras, “Contém um refrigerador; e nas embalagens de máquinas de lavar roupas, “Contém uma lavadora de roupas”.
A baixa credibilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é herança maldita do aparelhamento que o governo federal fez com as instituições, agências reguladoras e demais estatais. O IBGE e seu mapa-múndi de ponta cabeça é um exemplo de politização e baixíssima confiabilidade.