🔵 Uma noite em Las Vegas


 

Não era projeção holográfica nem realismo fantástico, entrou no palco o Elvis. Mesmo tendo o carisma de uma samambaia, quem se fantasiar de Elvis gordo fica divertido, portanto, é entretenimento garantido. 


Sim, tínhamos a oportunidade de assistir àquele cantor americano, que fazia apresentações em Las Vegas para aposentados endinheirados. Era um show em que a plateia se comportava como deveria ser o público do astro nos anos 70. Éramos uma plateia cover.


Aquela choperia trazia artistas cover com alguma notoriedade, e era realmente muito divertido comprovar que “Elvis não morreu”, e que era facilmente encontrado batalhando alguns trocados, disputando espaço com garçons e desbravando caminhos entre as mesas em barzinhos e churrascarias. Realmente parecia fácil ser sósia de um ídolo rastejante, inchado de substâncias químicas e em fim de carreira.


O Elvis de boteco tinha jeitão de quem complementava o orçamento imitando Raul Seixas, afinal, a vida nunca foi fácil.  Sim, sempre disputando a atenção da plateia com copos e talheres, o “Rei do Rock” “dava nó em pingo d’água”.


Aproveitando a popularidade do repertório clássico,  em momento interativo, circulando entre as mesas, o farsante fantasiado de Elvis gordo ofereceu o microfone para eu arriscar o refrão manjado. Essa breve participação foi um atalho para o universo artístico sem precisar vestir um macacão espalhafatoso e cheio de brilho. O cancioneiro matador deu alguma verossimilhança ao nosso pequeno túnel do tempo inesperado.


A performance do nosso Elvis Presley, com um figurino capaz de causar cegueira instantânea transformou aquela choperia em um resort com cassino dos anos 70. Pela média de idade da frequência, tudo aquilo era anacrônico, de forma que a apresentação musical com caracterização reunia comicidade e admiração.


Essa foi uma noite em Las Vegas, digo, Guarulhos.


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