🔵 Nem velozes nem furiosos


Aquela abertura de CHIP’s era o aviso de que “o bicho iria pegar” em horário nobre. Ao som de uma “big band”, eu observava dois policiais motociclistas cortando uma rodovia. O enlatado americano era um seriado clássico que retratava a rotina de dois policiais rodoviários: Essa sinopse nada empolgante só atrairia o público infantil se acrescentasse porções generosas de atuações politicamente incorretas. Assim foi feito.


Revendo um episódio dessa série, foi fácil entender porque a abertura de cada capítulo era imperdível: a musiquinha, a apresentação do elenco: “Com Larry Wilcox, Erik Estrada. Também estrelando Robert Pine”. Bem como o anúncio da dubladora: “Versão brasileira BKS”.


A estética era duvidosa: o elenco setentista espantava quem estivesse à procura de filmes de aventura, já que a trupe parecia a sobra dos atores de ‘Os embalos de sábado à noite’. Como se tratava de um filme policial, numa tradução literal, os bandidos abusavam de gírias de estúdio. Exemplos: foras-da-lei, malfeitores e facínoras, que chamavam os homens da lei de “tiras”.


Recentemente, refilmaram. Mas a tentação “lacradora”, a “obrigação” de pagar o pedágio ideológico, bem como a impossibilidade de reproduzir a magia que apenas a combinação da época e a pouca idade são capazes, frustrou as expectativas.


Voltando, já era hora de interromper minha audiência do seriado quando, fazendo “cosplay” de tira americano, eu queria começar a patrulhar as ruas do meu bairro de bicicleta. 


Entretanto, não havia nem sinal de candidatos a policial rodoviário contemplados pela natureza com autoridade necessária para manter a lei e a ordem nas ruas da Vila Galvão. Realmente, aquele entusiasmo televisivo da obra de ficção só seria suficiente para causar a sensação de segurança pelas redondezas na mente de crianças.


Controlando o ímpeto infantil, desistimos de fundar a filial brasileira da California Highway Patrol e repetir os códigos das viaturas “7 Mary 3” e “7 Mary 4”. Isso nos livrou da esquizofrenia e de um merecido “bullying” ou desacato.


 

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