🔵 O Humberto Ramalho é palmeirense!


 

Fizemos o translado para assistir ao jogo no restaurante anexo ao bar. O vereador palmeirense sabia que a algazarra corinthiana transformaria aquele ambiente sossegado onde decidiu curtir seu “happy hour”. Aquela presença promovia nosso futebol a uma sessão plenária.


Antes, um vereador que deveria ser chamado de “vossa excelência” com as “venias” de praxe; agora, ele era apenas um palmeirense que merecia ser humilhado até o fundo da alma pela audiência pública. Seu regimento interno não poderia socorrê-lo no território do proletariado, então, poderíamos submeter o parlamentar, que era uma engrenagem do sistema, ao patíbulo figurativo. Tudo isso, livre de impostos!


Houve um decreto tácito, o contrato social estava inexoravelmente quebrado. Iríamos subverter a hierarquia sem Constituição, muito menos regimento. O edil já não tinha a proteção de seu gabinete, onde canetas e carimbos têm precedência sobre punhos cerrados e testas franzidas.


A cada gol do Palmeiras, o whisky o ajudava a rebaixar até nosso nível de plebe fanática. O Corinthians tinha a obrigação de nos ajudar naquela oportunidade rara de espancamento moral na autoridade municipal. A cada gol, a superioridade amplificada pelo grito zombeteiro. 


Um gol do meu time não significava mais só a comemoração, mas a oportunidade de espezinhar o vereador sem Câmara e quórum. Ele estava indefeso, portanto, sem guarda Legislativa, era a chance de ofendê-lo  e insultá-lo com o beneplácito de estar embriagado e festejando um gol. A palavra de ordem era: gol do Corinthians.


Pelo menos, vencemos o “derby” da vingança social. O exemplar ocupante da cadeira de representantes de Guarulhos deu azar de estar ali sentado, ao alcance da fúria popular, equipado com o agravante de ser palmeirense.


Com o apito final e seu drink, o político era a mais perfeita tradução da derrota, bem como, tinha que admitir que éramos a maioria naquela terra sem lei. Tínhamos cumprido nossa obrigação democrática como munícipes naquele restaurante onde a quebra de protocolo e decoro era a regra. 


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