🔵 A polissemia do verbo ladrar
Recentemente, assisti novamente aos clássicos do “cinema cult” ‘O Homem-Cobra’ e ‘A Gangue dos Dobermans’. O primeiro ganhou o status de estelionato cinematográfico. O segundo só serviu para transformar o Dobermann no “cão chupando manga”.
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Há umas 4 décadas, a ficção científica de baixíssimo orçamento sobre a triste figura da serpente humana deu um “upgrade” no meu pequeno repertório de anomalias assustadoras.
Meus estudos de “Ciências e Saúde” ensinaram que é inverossímil um híbrido de mamífero e ovíparo. O grave infortúnio, adquirido por um infeliz, realmente representava uma verdadeira ameaça na minha ilimitada imaginação infantil: esse tipo de produção picareta ainda poderia ser classificada como “realismo fantástico”. Portanto, além de apavorado, eu estava sendo enganado. O filme era nostalgia pura, mas agora estilhaçou minha memória afetiva: trata-se de um dos piores filmes da história.
O filminho ‘A Gangue dos Dobermans’ também atormentava já na propaganda, pois causava certo pânico de pisar na rua e ser atacado por cães ferozes. Entretanto, segundo o filme da TVS, a raça alemã foi treinada só para assaltar um banco. Mas essa informação aumentava muito as possibilidades: o animal não se contentava com ossos e carnes, também rosnava à procura de dinheiro.
O bicho possuía um cabedal de truques que impressionava qualquer criança nos anos 70; porém, depois de presenciar meu cão pegando bolinhas comecei a dar mais valor à sua honestidade, não aos dobermanns assaltantes.
Nosso país sempre ofereceu um cardápio de figuras mutiladas ou com alguma deformidade: Mula-sem-cabeça, Saci Pererê, Curupira etc. Porém, as criaturas horripilantes importadas eram cães bandidos e uma ameaçadora mistura de homem com um réptil!
Eu realmente achava que meu gosto estético guardava uma bela recordação de verdadeiras pérolas da cinematografia. No entanto, a decepção foi grande quando revi os filmes e descobri que ambos são clássicos “trash”.

