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🔵 Saudosa maloca

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Aquele território de brincar demarcado era um microcosmo para análise de comportamentos humanos e organização social. Atualmente, numa análise mais aprofundada, eu vejo aquilo como uma “Faixa de Gaza” pacificada, praticamente vivíamos uma “pax” declarada para a trégua futebolística de rua. Como partidas entre Israel e Palestina, o nosso futebol com golzinho de pedra ou chinelo era literalmente de várzea; portanto, o córrego,  que para a molecada significava apenas uma dificuldade para recuperar a bola, para a família pobre era a falta de saneamento básico passando no fundo do quintal. Geralmente, eu jogava bola naquele pedaço de mau caminho chamado vielinha entre uma mansão e um barraco. O garoto da mansão e o garoto do barraco jogavam bola juntos. Embora fosse evidente a diferença social entre a molecada, não havia qualquer tipo de segregação, “apartheid”  ou “bullying” econômico. Contudo, ainda havia resquícios da escravidão encerrada há apenas um século. Na mansão, o “quart...

🔵 Livros, café e rock

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  Os “roadies” “plugaram” os amplificadores e retornos, afinaram a guitarra e o baixo, posicionaram os microfones e a bateria, pronto. Era só a banda entrar e tocar. O “pocket show” do ‘Doctor Sin’ compensaria o caro desjejum com preço de aeroporto, dando até uma boa vantagem no custo-benefício. Nunca adivinharia que no pagamento daquilo eu estaria comprando o ingresso de um show. Assistir àquela banda enquanto devorava um café e um “croissant” devia ser o que chamavam de “concertos para a juventude”. Sem notar, configurei minha área vip de frente para o palco.  Já havia visto a banda no ‘Hollywood Rock’ quando, ao mesmo tempo, disputava espaço com uma horda de bárbaros e era maltratado pela péssima organização, com seus banheiros químicos parecendo liquidificadores de dejetos. É bom lembrar, um espetáculo sem a palhaçada de sempre, o clichê disfarçado de momento catártico: quando o artista gringo vem ao palco com uma bandeira do Brasil, uma camisa da Seleção e, orientado pela...

🔵 Aventureiros do bairro proibido

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 O carro talvez não vencesse a Serra do Mar, mas já no nível do mar o Gol 86 desistiu de aumentar a altitude. Justamente, a única rua que, num filme de terror, recomendariam não entrar jamais, nunca, em hipótese nenhuma, de jeito nenhum, seguimos a pé e ostensivamente fantasiados de turistas. Aquele quilombo litorâneo atual era o limbo da beira de estrada longe demais da praia e da cidade. À noite, abandonados por um destino que parecia querer testar a nossa resistência mental, seguimos rumo à iluminação do povoado que lembrava uma cidade cenográfica de horror cósmico dos anos 50. Tínhamos que parecer incólumes a quaisquer ameaças, inclusive um possível vampirismo social. Entrar naquele esconderijo misterioso conduzia ao “estranho, bizarro e inesperado” universo paralelo além da imaginação ou simplesmente um bairro perigoso onde não éramos bem vindos.  Entre “náufragos, traficantes e degredados”, ela e eu teríamos que atravessar o apocalipse zumbi para pedir informação a algué...

🔳 Lula e seus amigos

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  Lula, presidente do Brasil, solicitou um encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA); foi recebido um pouco melhor que um entregador de pizza. Flávio Bolsonaro também reuniu-se com Trump e outras autoridades; logo depois, CV e PCC foram “promovidos” a organizações terroristas.  Essa “sinuca de bico" diplomática obrigou políticos, imprensa e especialistas a tomarem um lado, revelando, assim, suas reais intenções. Uma tal de “soberania” foi o coringa utilizado para atribuir alguma nobreza e justificar a não intervenção americana. Com a visita a Trump, Lula, com sua agenda de prefeito ou com encontros secretos noturnos e jantares fora de agenda, confirmou ser um chefe de máfia ou lobista de luxo. Mesmo que não tenha sido Flávio, o “timing” é perfeito e deixa Lula “et caterva” numa inescapável armadilha; a única reação petista foi defender a tal “soberania".  Lula ficou, segundo ele mesmo, triste e, segundo minha análise, nervoso. Como reação governamenta...

🔵 Balada para dois

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 Atibaia era uma cidade com a idiossincrasia do interior, porém, próxima à capital paulista. Lá, o barzinho era uma fuga dos mesmos lugares de sempre da cidade grande. Certamente, aquela noite foi registrada como o maior avistamento a olho nu de gírias ultrapassadas e consumo delas vencidas: supimpa, chuchu beleza, mixou o carbureto e brasa, mora. Um casal de “coroas” se destacava naquele salão cheio. Eles eram velhos demais para serem jovens e jovens demais para serem velhos. A dupla não estava nem aí para alguns olhares reprovadores. O casal maduro parecia se divertir como se “os bons tempos tivessem voltado”, como se tivéssemos voltado aos anos 70 ao som dos Bee Gees ou “Os embalos de sábado à noite”. Aquela fauna invasora que tomou conta do nosso território com seu twist epilético, o chá, chá, chá convulsivo deveria ser tombado pelo patrimônio histórico do “não tô nem aí”. O “no meu tempo é que era bom” ganhou lugar de fala. O “iê iê iê” a dois nos obrigou a assistir àquela per...

Duvidar pra quê?

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 Com a polêmica envolvendo o detergente Ypê, choveram memes supostamente bolsonaristas. Muitos desses protestos, fingindo ingerir o produto químico. Aproveitando um assunto politizado, Janja deu um jeito de introduzir “detergente contaminado" num discurso falsamente responsável. Ela disse: “Até quando vamos ver gente bebendo detergente contaminado?”. A fala foi dita com a intenção de criminalizar bolsonaristas, mas serviu de combustível para novos memes e colocar em xeque o diploma de Sociologia da primeira-dama. A imprensa amiga remunerada pelo governo agiu rápido e fez um contorcionismo hermenêutico, colocando a fala entre aspas como se ela tivesse dito o que quis dizer. No entanto, o menos engraçado e mais grave foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, querendo transformar o assunto ’Ypê’ em ativo eleitoral. Sério e dando dicas sanitárias, ele orientou para não beber detergente. Esse raciocínio e seriedade devem ter motivado alguns legisladores a colocar aquela plaquinha do ...

🔵 Saí da frente

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  Infectados por minha quase nula avaliação do perigo, embarcamos num caiaque duplo condenado ao naufrágio, quase um novo Titanic sem violinistas. O Titanic, diziam, “nem Deus poderia afundar”; para fazer nossa embarcação descansar no fundo do mar, bastaria um coroinha. Na praia de Santa Catarina, saímos na malfadada e precária canoa. Na saída, posando para uma pretensa fotografia histórica da partida da expedição, quase atropelamos alguns banhistas. Mas tudo bem, as iminentes vítimas foram desviando daqueles dois malucos num desenfreado bote. Assim, conseguimos singrar o ameaçador oceano. Não contentes em dar uma voltinha, ali na costa, fomos até uma prainha, e outra, e outra... Podíamos até descobrir um novo continente e batizá-lo, até mesmo encontrar, numa terra distante, criaturas fantásticas ou bestas mitológicas.  Mas isso é coisa da imaginação de Júlio Verne. Não encontramos sequer um barco do Greenpeace ou a Greta Thunberg. A praia estava muito longe e, como aconselhar...