🔵 Mais pesado que o ar
Parecia um ‘Opala’, o painel devia ser equipado com um toca-fitas. Aquele aparelho não inspirava nenhuma confiança. Mesmo sabendo que quaisquer cuidados não deixariam muita margem de sobrevivência, afivelei o cinto de, por assim dizer, segurança. O próprio cinto lembrava o pedaço de pano que, mesmo inútil, equipava o ‘Fiat 147’ e o barulho de ventilador vagabundo causava irritação e pavor, como o motor de uma ‘Brasília’. Esta não foi a melhor maneira de voar. Com o tempo, nada mais me preocupava, nem a abertura onde deveria existir uma porta, nem os comandos replicados, como se eu fosse um copiloto habilitado. Sim, para minha surpresa, se houvesse uma traquinagem do destino, logo no meu debute aéreo, eu assumiria o cargo de comandante daquela bicicleta voadora. Mas nada poderia ser pior do que quando aquele troço decolou. A partir daí, meu único medo real poderia ser a aeronave voltar da Bolívia carregada de drogas. Sinceramente, não notei grande diferença entre a decolagem do ...