🔵 A Ilha da Fantasia
Aquilo não era uma ilha, mas era alguma cerveja cercada por muita sede. O imóvel era, injustamente, chamado de restaurante, talvez por causa do salão grande com pé-direito alto. Porém, uma mesa de sinuca com feltro grudento, madeira estufada e tacos disformes não disfarçavam aquele ambiente de boteco. Um deserto no meio do oásis: era isso o que aquele bar parecia representar para o dono. Quando fazia um belo dia de sol, para nós, era um convite para prestigiar o estabelecimento comercial do Português, molhando a goela e beliscando um tira-gosto. Para o Português, significava trabalho. Isso parecia péssimo, motivo para uma preguiçosa reclamação. Se o dia fosse ensolarado, pior, pois interrompia seu planejamento diário: fazer nada pela manhã; de tarde, descansar; à noite, não fazer coisa nenhuma; depois, descansar novamente. Naquele paraíso, a definição de bom e ruim era inversamente proporcional para o Português e sua clientela. O proprietário só queria evitar a fadiga; e nó...