A estética do choro
A iconografia de alguém que expõe seu momento de fraqueza por não ter mais o que fazer, ao invés de revelar fraqueza, demonstra uma incrível força. Pelo menos, nos dias atuais. Não precisa agir, é só derramar algumas lágrimas, assim, demonstra-se empatia. Fazer algo concreto é para fracassados, rende muito mais dividendos exibir-se sensível. Se as lágrimas não vierem, embargue a pronúncia, pisque grosso e enxugue uma lágrima inexistente. Esta receita tem o poder de emocionar até o Chico Picadinho. Se for na TV, uma trilha sonora triste torna a farsa imbatível! A mesma estratégia anterior, mas sem o auxílio luxuoso do fundo musical, é parar dramaticamente e beber um gole d’água. Este subterfúgio substitui todo o “misancene” necessário para simular um pranto. Entretanto, é bom que se diga, é recomendado um alto teor de mau-caratismo para que se obtenha os resultados esperados. Nos esportes, sobretudo no futebol, o choro sinaliza um comprometimento com o time, o amor ao clube, que q...