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Mostrando postagens de julho, 2025

Senhor juiz, pare agora

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Pena de morte financeira: assim que é conhecida a Lei Magnitsky. Lei que ficou famosa no Brasil, porque temos um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) “premiado” com a sanção americana. Mas o que é essa lei de nome estranho? A lei de alcance global pune os violadores dos Direitos Humanos e os corruptos. É terrível porque congela bens, proíbe o acesso aos EUA e, pior, mesmo em outro país, o sancionado fica impedido de utilizar quaisquer bens ou serviços que sigam leis americanas. Torna-se um pária. O nome russo dessa lei já circulava na internet. Esse assunto foi introduzido pelo “velho maluco que fugiu de alguma casa de saúde mental”: Olavo de Carvalho. Pois, Olavo, mesmo que maldito, é um filósofo. Sobretudo, para quem considera Pondé, Karnal, Cortella e Clóvis de Barros filósofos, Olavo de Carvalho é menosprezado. Os “filosopops” ou "filósofos de bolso” são apenas uma boa leitura rápida para pegar na revistaria da rodoviária antes de sair o ônibus, sem esquecer o pacote de...

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  Tarifaço: quem queria, negociou; Lula, como nunca quis, ofereceu jabuticabas, desafiou Trump para um truco, falou bobagens para  plateias ensaiadas, que aplaudem com entusiasmo até aumento de imposto e acham empático quando Lula diz que come pão com mortadela e ovo de pata.  O presidente, inclusive, enviou aos EUA uma comitiva que já saiu desmoralizada. A “Comitiva do Amor” foi negociar o tarifaço, mas, sem saber com quem, não tinha agenda. Ignorando que ele mesmo precisa se explicar, alguém arriscou Barack Obama. Francamente, não sei se é desespero ou inocência, mas a lembrança do nome do ex-presidente parece quando alguém lembra de um parente distante que tem uma casa de praia. Continuando, a “Comitiva da Alegria” seguiu sua aventura na América. Um outro alguém vasculhou na memória e, zás, achou George Bush, inimigo de Donald Trump. Outro ex-presidente, só que agora equivale a chamar Fernando Henrique para abaixar uma tarifa do Bolsonaro. A “Comitiva Esperança” seguia...

🔵 Gritos do Ipiranga

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  O modesto predinho do bairro do Ipiranga destoava das modernas torres, frutos da exploração imobiliária que “ergue e destrói coisas belas”, e da gentrificação. Mas, interrompendo o silêncio noturno, um grito feminino curto, seco e cheio de mistérios, como nos filmes de terror, transformou a rotina daquele amontoado de residências empilhadas. Os berros chegavam ao meu apartamento carregados de terríveis impropérios. Os gritos do Ipiranga não pareciam súplicas, pedidos de socorro, apenas tentativas de ofender em alto e bom som.  Apesar de não respeitar limites territoriais, o grosso da discussão se concentrava numa espécie de corredor vertical ou fosso. Aquele túnel de vento amplificava o terrível som, que era entregue bem audível e sem filtros no meu lar. Provavelmente, os outros vizinhos também ouviram do Ipiranga os brados retumbantes.  A discussão entre marido e mulher parecia na iminência de acabar em algo pior. Seguindo os aconselhamentos para não meter a colher em ...

🔵 "Sem querer fui me lembrar..."

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  Hoje, acredito que o Ratão era o último romântico, mas para a turma da classe, ele era de outro tempo, uns 50 anos atrasado. Tatiane só poderia ser o elo mais fraco de uma família vítima da hiperinflação, portanto, foi despejada naquele cemitério de futuros, depósito do ensino obrigatório e última tentativa daqueles guarulhenses catequizados conseguirem alguma alfabetização. Pois bem, algum plano econômico frustrado encheu a ralé de amor platônico. E como santo de casa não faz milagre, nossas colegas devem ter estranhado aquele comportamento bobo e esquisito dos meninos. Ratão, o pretendente, chegou na frente. Porém, provavelmente ouviu discos do Julio Iglesias e assistiu a uma novela, então, avaliou mal sua estratégia de aproximação. Sim, Ratão, o cavalheiro, vendo a novela das oito, viu um galã conquistando uma bela atriz e achou que poderia fazer o mesmo: foi à floricultura mais próxima. Pronto, tínhamos nosso pequeno amante à moda antiga, do tipo que aínda manda flores. No g...

O ano da colheita

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  Ato de Soberania Nacional, organização da USP (Universidade de São Paulo) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O nome pomposo merecia a entrada de um general cheio de medalhas, mas é só mais um ato chapa-branca tentando falsificar a realidade. Esse tipo de manifestação tem cheiro de mofo ou naftalina. Estava presente aquela turma com cara de “juventude grisalha” e petistas históricos querendo reviver aqueles bons tempos de movimento estudantil ou com os braços trançados, formando uma comissão de frente progressista que se nega a deixar os anos 60. Só não foi mais contundente, porque seria paradoxal uma luta armada desarmamentista. A OAB resolveu agir como mais um sindicato petista e só justificaria sua mensalidade se tivesse uma colônia de férias; a faculdade de direito da USP, no Largo São Francisco, está se apequenando tão rápido, que já é mais conhecida pelo calote do 11 de Agosto, atenuado como o Dia da Pendura. A presença de políticos petistas, sindicatos petistas e entida...

🔵 Um dia...

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  Se raciocinasse, até o despertador se surpreenderia quando eu pulei da cama. As pupilas dilatadas facilitavam o deslocamento pelo quarto escuro e evitavam colisões, além da luz do sol que vazava pela veneziana. Era dia de Educação Física, e isso fazia eu dizer com orgulho a frase: “Vou à escola”. Ao contrário, era o ânimo demonstrado à tarde com a iminência das matérias: Matemática e Português. A competição matinal era o que me estimulava a celebrar o toque estridente do despertador, ignorar a preguiça e correr para a escola sem que precisasse me movimentar depois de sucessivos avisos. Pela manhã, aconteciam várias coisas além do ‘Telecurso’ e os noticiários contando como foram os crimes da madrugada. Só a bola de futebol parecia capaz de fazer eu participar daquele mundo que já estava em pé antes das 11:00. Aos 13 anos, o argumento de que dinheiro não dava em árvore carecia de provas, portanto, era insuficiente. A boemia ainda não era uma justificativa convincente, então, eu não...

Pobre menina rica

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  Fundo negro, efeitos sonoros de pânico e uma jovem de testas franzidas. Tudo igual os vídeos do Nikolas Ferreira.  Para não variar, temos a eterna vitimização. A neta do Lula até que fotografa bem e faz a cara de “futuro da Nação” tirando satisfação com os adultos, tipo uma Greta Thunberg sem barco. Também deve ter descoberto que, mesmo que ilegítimo, demonstrar preocupação com o meio ambiente, direitos humanos e blá blá blá é uma lucrativa sinalização de virtude, bem como xingar alguém de fascista em vez de bobo ou de nazista em vez de cara de melão, como o vovô. No entanto,  a carinha de má, que lembrou o ódio que o avô carrega na cara e no coração, prevaleceu. Quanto à raivinha pelo estado das coisas: basta discutir nas reuniões de família. São louváveis os esforços para encontrar um “Nikolas lacrador”, mas revolta de horário eleitoral gratuito não comove mais. Porém, a farsa durou até quando a garota falou que o Brasil é escravo dos Estados Unidos há 500 anos. Não s...

Essa moleza vai acabar

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A regalia dos aviões da FAB para o transporte de ministros tem data de validade: 3 de agosto. Essa moleza vai acabar. Já estou imaginando uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) encostando para abastecer no autoposto Colibri. Nos tempos do meu Gol 86 era comum eu parar ao lado da bomba e pedir para colocar R$ 6,⁰⁰. Claro, a restrição que calcula até quando a FAB garante seu estoque já me obrigava a fazer o mesmo. Como sempre foi previsto, o governo Lula seria capaz de fazer a Força Aérea Brasileira passar, no século XXI,  pela escassez que eu vivi no século XX. Bem-vindo ao tanque pré-datado e a reserva acesa. Pois bem, se a contenção de gastos for total, como na minha experiência nos anos 90, a FAB pode aproveitar para economizar pedindo para conferir o nível do óleo, jogar água no pára-brisa e, se der tempo, exercer o direito à “ducha grátis”. Tudo isso, na faixa! Historicamente, não era previsível nem esperado, mas aconteceu. A casta superior do funcionalismo público abusou...

Tudo boa gente

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Vários países e “republiquetas” já desistiram de brigar com o presidente dos Estados Unidos. No entanto, Lula, o presidente do Brasil, insiste em ameaçar “retaliar”. Essa postura, para um senhor que se acha um bom negociador, demonstra nenhuma sabedoria, porque fica óbvio que não sabe avaliar sua força, muito menos a do adversário. Lula se sente à vontade brincando de liderança entre ditadores e caudilhos, entretanto, foi deixado de lado. Mas continuou vociferando para Donald Trump. Enquanto o petista mede forças com alguém que visivelmente é mais forte, a turma que não quer entrar numa guerra perdida optou por negociar as oportunidades abandonadas pelo Brasil. Até a obsessão da tal “moeda única”, em substituição ao dólar, foi abandonada e empurrada para o autor e entusiasta da ideia: Lula. O desenrolar desse roteiro lembra uma turma de amigos “botando pilha” para o fraquinho enfrentar o valentão, para depois sair fora e ver o estrago. Lembra também, quando Hugo Chávez, Evo Morales e L...

Querido presidente...

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  O que ficou conhecido como “Momento Joel Santana” foi atualizado para “Momento Jair Bolsonaro”, sendo que o inglês do ex-presidente conseguiu ser mais horrível que o do técnico de futebol.  Pois bem, bastante irritada com o “tarifaço” de Donald Trump, a senadora Soraya Thronicke cometeu um inglês que só pode ser definido como “Momento Bolsonaro”. Ela escreveu: “The knife and cheese will be very useful in our hands”.  Eu fiz como a Soraya, digitei no “Google Tradutor”: “A faca e o queijo serão muito úteis em nossas mãos”. Essa maravilha linguística foi parida com a intenção de “passar um sabão” em forma de um “velho ditado”. Só que a sabedoria popular só faz sentido nas jurisdições de Dom Pedro II, portanto, o presidente dos Estados Unidos não deve ter entendido a reprimenda, se é que leu. Provavelmente, a senadora obteve a resposta marota no “Google translator”. Ora, com tanta informação, fica difícil sustentar o argumento da “soberania nacional". “Soberania” é a nova p...

Já chegou a hora do programa terminar

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  Luís Roberto Barroso tem um jeitão de banqueiro antigo do jogo do bicho. Sempre que é flagrado em momentos de descontração, está cantando um samba antigo e com os dedinhos pro alto, tipo o cara que exagerou no “happy hour” e, com nó da gravata frouxo e um copo na mão, telefona para avisar que vai chegar mais tarde. Em momentos mais solenes, deixa escapar um “Perdeu, mané”.  Tudo isso, também pode ser querer demonstrar uma malandragem de “novela das 8”, tentar ser quem nunca foi ou querer viver uma juventude perdida. Com esse cacoete ruim, de falar malandramente, acabará deixando escapar um: “Cumé quié!”,  “Fala, bicho!” ou “Me ajuda a te ajudar”, bem como usando camisa florida. Luís não esperava ser nomeado por Dilma Rousseff. Ganhou uma cadeira e agora tem o “status” do que nunca seria: juiz. O resultado é um”office boy” de paletó com trejeitos de chefão do jogo do bicho. Recentemente, vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram o visto para os EUA etern...

🔵 O espetáculo do farol

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  Não teve jeito. Percebi que eu estava fora de sincronia com os faróis. Não adiantou acelerar o carro para passar o cruzamento no sinal ainda amarelo. “Roleta-paulista” é muito arriscada, pois um acidente pode efetivar o atraso, e o desastre mortal pode desmarcar o compromisso definitivamente. Mas aquele semáforo vermelho me capturou, portanto, eu fui obrigado a parar e esperar o início do espetáculo. O ‘Programa Circo-escola’ gerou uma modalidade de praga urbana talentosa. A população formada na iniciativa da Prefeitura, em vez de seguir carreira na China, França ou Canadá, infestava as ruas da cidade. De repente, uma turminha colorida invadiu a faixa de segurança e formou uma pirâmide humana. Como aquela maldita lâmpada vermelha tinha um temporizador mancomunado com a galerinha acrobata, deu tempo para um segundo número. Foi quando um garoto começou a atirar bolas de tênis para o ar; me senti superior àquele garoto, pois além de saber fazer a mesma coisa eu possuía um emprego. P...

Meu malvado favorito

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  Enquanto os Estados Unidos fechavam o cerco a Saddam Hussein, era muito comovente como esse fenômeno da cultura pop desafiava o país norte-americano. É lógico que me lembrei dessa figura por causa do Lula. Em termos de bazófia folclórica e falta de critério para qualificar a força do inimigo, ambos se equivalem. No entanto, o iraquiano tem uma inocência, típica de quem acende um cigarro num paiol cheio de pólvora; enquanto o brasileiro é um cafajeste que apenas quer enganar a plateia. Mohammed Saeed al-Sahhaf, ministro da Informação de Saddam Hussein, disse: “Os americanos vão se render ou ser queimados nos seus tanques. Eles vão se render, são eles que vão se render”. Sensacional! No final, faltou uma risada diabólica, como um vilão de desenho de super- herói que pretende dominar o mundo.  Entretanto, não podemos rir, não é excesso de otimismo. Mohammed é um pouco como Lula, a loucura, causada pelo distanciamento da realidade, impede-os de enxergar o perigo. As reações do t...

🔵 Senhor Porco

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Suíno. Aquele apelido era o suficiente para nos convencer que as aulas de Geografia não tinham sido em vão. Aquele garoto tinha uma aparência de dono de banco, pelo menos dentro do arquétipo que passava pela minha cabeça do que era um banqueiro. Mas o Suíno era incólume aos insultos dos alunos daquela sala de aula. Naquele tempo, ele carregava a aparência de um sujeito bem abastado e bem alimentado; nós, magrinhos, pelo contrário, só podíamos ser mal alimentados, portanto, pobres. Para corroborar aqueles conceitos superficiais, nós enfrentávamos a fila da sopa; enquanto o Suíno saía da cantina com uma esfirra, um copo de ‘Coca’ e um chocolate ‘Surpresa’. Para aumentar aquela humilhação, às vezes vinha de carro e tirava boas notas. Maldito!  No entanto, todos fomos abandonados numa escola pública, e isso nos igualava. Nós, do depósito de alunos, contemplados com o ensino obrigatório, éramos um punhado de vítimas da Reserva de Mercado, confinados no Terceiro Mundo; enquanto Suíno des...

🔵 Óleo de fígado de bacalhau

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  Era um clássico do “abre a boca e fecha os olhos”. Aquela garrafinha - na parte de cima do armário, entre as contas de água e luz - era uma ameaça eterna e silenciosa, paradoxalmente dizendo: moleque, sua hora vai chegar. A personificação tinha relação com a vida própria daquilo, certamente, o conjunto só poderia ter sido pensado para aterrorizar: a embalagem lembrava remédio, o nome repugnante, o rótulo apavorante, a aparência do conteúdo péssima, a consistência nojenta e o sabor horrível. Aquela visão espantava qualquer um, mas diziam que, paradoxalmente, fazia bem. A vitamina vinha disfarçada com o eufemismo ininteligível de ‘Emulsão Scott', mas a máscara desabava após uma observação mais detalhada. O rótulo exibia uma imensa e desanimadora relação de vitaminas, que não resistia ao asqueroso e pior nome que uma vitamina já possuiu: ‘Óleo de fígado de bacalhau’. Isso virou sinônimo de coisa ruim. Para piorar — que sempre é possível piorar as coisas — o tônico trazia a figura de...

A diplomacia da jabuticaba

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  Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, joga xadrez com taco de beisebol, enquanto Lula, presidente do Brasil, chupa jabuticabas. É esse, o nível. Temos um presidente que não sabe fazer outra coisa que não seja entregar unidades do ‘Minha casa, minha vida’ e inaugurar “Pedra Fundamental”. O presidente do Brasil não sabe o que fazer nos tempos da crise do “tarifaço”, assim como, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS-ONU) não sabia durante a pandemia. Se Lula deliberou sobre qual tática adotar, ele levou a sério a trama do filme ‘O rato que ruge’: “Não há empreendimento mais lucrativo a qualquer país do que declarar guerra aos Estados Unidos e ser derrotado”.  O objetivo é deixar a Economia em frangalhos, e o cara que faz uma ocupação no Palácio do Planalto está neste caminho. Mas eu acho que é só insanidade, Lula seria incapaz de abstrair alguma ideia de um filme, ainda mais, antigo. A metáfora do rato rugindo é perfeita, quando avaliadas as forças dos paí...

Simplesmente Janja

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  Ela já surgiu com um codinome que supõe muita intimidade, porém, inexistente: Janja. Chamá-la assim dá a impressão que se está falando de uma velha amiga, dessas que entram pela porta da cozinha. Mas não é disso que se trata. Esta senhora é tratada pela alcunha, por absoluto desconhecimento ou desuso do nome, como o Marcola ou o Marcinho VP. Rosângela tem um raciocínio tacanho, incompatível com a idade avançada. Eu não falo de alguém jovial, que demonstra uma cabeça arejada; mas de alguém que é capaz de encerrar uma discussão mostrando a língua ou batendo o pé quando contrariada.  É necessária boa vontade para acreditar que ela consiga produzir algum raciocínio complexo, portanto, também é preciso conferir a papelada para chamar essa moça de socióloga.  Sem limites, divisas ou fronteiras, a moça atropela e dá a ré no Português. Mas fala palavrões com uma correção impecável. É até um elogio dizer que alguém ”fala o que pensa”, mas para Janja sinceridade é para os perdedo...

🔵 O expresso do horror

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Cinco corintianos e três palmeirenses. Essa combinação pode ser segura, sendo todos amigos e se ninguém estiver uniformizado. Ir até o Estádio do Morumbi ver Corinthians X Palmeiras, nos “medievais” anos 90, exigia um cuidado maior, porque essa década foi o período do auge das brigas de torcida. O Derby Paulista merecia alerta máximo. Divididos, alvinegros e os infelizes alviverdes, subimos para a arquibancada. Na ida, estranhamente tudo transcorreu bem.  Mal sabíamos que, como na penitenciária, se a noite está muito tranquila, significa que no dia seguinte a cadeia vai estourar; ou na guerra, mesma situação: noite tranquila significa iminente batalha. O risco de morte, pregando uma peça, guardava fortes emoções para a volta, justamente no momento de maior desatenção. A bancada corintiana saiu contente com os três a zero. Juntando com os tristes palmeirenses, a volta seria sossegada, quem sabe até pararíamos em alguma lanchonete. Só que a maldita Caixa de Pandora foi aberta, fazend...

🔵 ROBOCOP

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  Na 7ª série, a Gislaine disse que iria pegar o Ivan na saída da escola. Apesar de, boa de briga, ser o suficiente para espancar o pobre do Ivan, ela reforçou o time: chamou a irmã mais forte. A irmã da Gislaine era um exemplar de mulher empoderada. A menina botou nosso pequeno Ivan para correr. O aluno teve muito tempo para refletir e calcular as chances de incolumidade e sobrevivência. A reflexão e o instinto recomendaram que fugisse pela janela. O escapismo foi tão espetacular quanto vergonhoso e serviu como munição infinita para a crueldade infantil. O que ninguém esperava é que os mesmos alunos que cooperaram para a fuga zoariam o Ivan até o fim daquele ano. Ivan vinha à escola caminhando como um alicate aberto, todo paramentado, como quem sempre está pronto para uma guerra. Para torná-lo uma figura notada a quilômetros, um colete cervical de metal transformava seu andar numa movimentação geométrica e mecanizada. Por onde passava, abria-se uma clareira; para um melhor desloca...

🔵 236-0873

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  A mais basilar das orientações recomendava para não aceitar doce de estranhos. Mas aquele palhaço já era bem conhecido e parecia simpático, praticamente alguém da família. Hoje, sei que eu era muito novo para ser vítima de estelionato, mas Bozo oferecia prêmios, portanto, resolvi telefonar para o palhaço americano. Era simples, bastava ir ao telefone público (orelhão) e acertar alguma charada para ganhar uma bicicleta ou um videogame. Bozo: “Amiguinho, sua ligação é muito importante para mim…” A voz era inconfundível, mas a alegria inicial, por ter estabelecido contato com o palhaço, foi substituída pela tristeza e revolta da recomendação: “Tente outra vez”. Decepção. Aquele pronunciamento era de uma alegria artificial, uma satisfação protocolar, uma criatura burocrática, diferente daquele sujeito animado, colorido e fantasiado que divertia as minhas manhãs. A gravação revelava toda aquela palhaçada. Francamente, naquela mensagem, o palhaço não me pareceu tão generoso como na tel...

Nunca antes

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  Na 7ª série, a Gislaine disse que iria pegar o Ivan na saída da escola. Apesar de, boa de briga, ser o suficiente para espancar o pobre do Ivan, ela reforçou o time: chamou a irmã mais forte. O aluno teve muito tempo para calcular as chances de sobrevivência. A reflexão recomendou que fugisse pela janela. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resolveu colocar a faca no pescoço de Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando as tarifas sobre produtos brasileiros, usando como moeda de troca o fim da perseguição a Bolsonaro e seus aliados; em resposta, Lula continuou bravateando. O presidente petista se aliou a ditadores e ditaduras e xinga e ameaça Trump. Agora, mesmo atrasada, chegou a colheita anunciada. Entretanto, o mais curioso foi o que a imprensa teve coragem de noticiar como medida retaliatória: O Cacique Cobra Coral iniciou as medidas de reciprocidade. Pronto, cancelaram a “Dança da Chuva”. Depois das bravatas e aproximações ideológicas com ditadores, Lula ...

🔵 Grilo ou gafanhoto?

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  A curiosidade infantil chegou ao limite quando eu participei, como espectador, de uma sessão de tortura. Apesar da Ditadura aínda estar nos seus estertores, nada justificava aquele ato, mesmo tratando-se de um grilo (ou gafanhoto). O inseto (grilo ou gafanhoto) foi preso numa lata que foi colocada no fogo. O ruído dos pulos aumentou de intensidade, de repente cessou de vez. O serviço cruel havia sido feito. O animalzinho ardeu até virar cinzas. Os combates aos insetos devastadores de plantações, as famosas nuvens de gafanhotos, fazem a nossa imolação infantil parecer, embora cruel, mera brincadeira de criança. O extermínio da praga não provoca igual impacto que o assassinato do único exemplar de décadas atrás. Aquele desvio para uma refeição que devasta lavouras nunca, jamais, em hipótese alguma, pode ser comparado com aquela saída da rodovia, numa paradinha rápida, para comer um lanche no ‘Graal’ ou ‘Frango Assado’. Mas a imolação que presenciei não perdeu o impacto mesmo perant...

Pergunte-me como

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  Vez ou outra, um azarão surpreende em campeonatos mundiais: como a Turquia em 2012. Nesse campeonato mundial de clubes, o Fluminense foi a Turquia, pois “entre trancos e barrancos”, foi classificando. Mas a diferença econômica tornou o Mundial uma disputa entre europeus e sul-americanos ou a força da grana que monta seleções de jogadores e a dependência financeira dos clubes formadores, respectivamente. Na semifinal entre Fluminense e Chelsea, o jogador João Pedro acabou com o jogo. O autor dos 2 gols é cria do time carioca. O que parecia um bom negócio, o destino (e o dinheiro) levou ao Chelsea para destruir o sonho tricolor. E o torcedor torce pelo gol, pela conquista do título, não por uma boa venda. João Pedro é a  ilustração do que formata um campeonato mundial de clubes. A briga é desigual, como “Davi e Golias”, por isso, mesmo sem participar dessa edição, o Corinthians foi o destaque nos comentários, porque é o mais recente sul-americano que conseguiu romper essa hege...

🔵 Uma Kombi carregada de tristeza

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  Em 1993, o Corinthians tinha tudo para ganhar a final do Paulistão, deixando o Palmeiras seguir o 17º ano sem ganhar campeonatos. O Porco teria que ganhar no tempo normal e na prorrogação. Impossível! Eu, na certeza da vitória, comprei o ingresso para a numerada inferior do Morumbi, a fim de invadir o gramado após o apito final. Eu atravessaria o gramado de joelhos, bandeira nas costas, como em 77. Tinha certeza, eu seria uma espécie de torcedor símbolo, a minha imagem seria reprisada sempre. Aquele jogo seria histórico, porque manteria o Palmeiras, nosso principal rival, em jejum. Tudo roteirizado e armado, porém esqueceram de “combinar com os russos”, ou melhor (pior), com os palmeirenses. A partida foi um desastre. Tempo normal: 3 a 0. Nem fiquei pro final da partida. Como se cada gol do adversário fosse um soco, fugi daquele estádio antes do nocaute. No entanto, a lotação tinha uma televisãozinha sádica exibindo um torturante “último prego no caixão” e o fim do sonho de invad...

Agora vai

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  O congestionamento de países em um suposto desenvolvimento fez do BRICS, que tinha como sigla as iniciais de 5 países, depois da abertura da porteira às nações amigas e a junção do que foi apelidado como “países parceiros” poderá propor um joguinho com 17 letras (ou mais). O fracasso da reunião no Rio de Janeiro revelou um evento triste. Com a ausência de Xi Jinping e Vladimir Putin, presidentes da China e Rússia, respectivamente, o encontro ficou parecido com uma reunião de condomínio. Só ficou faltando as discussões por vaga de garagem, sujeira na piscina, vacância no salão de festas, barulho e equipamento de ginástica quebrado. A cúpula das economias emergentes perdeu sua relevância desde que Lula tratou o banco como uma agência bancária comum e colocou a Dilma Rousseff como presidente. A manobra serviu para divertir os chineses, mas não para financiar um novo crime que mereça um apelido no aumentativo, exemplo: Mensalão e Petrolão. O enfraquecimento dessa edição do encontro d...

Impostinho

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Guilherme Boulos montou sua “ágora” portátil; uma invasão coordenada ao banco ‘Itaú’ da avenida Faria Lima, em São Paulo, foi desencadeada; o arsenal de propaganda petista está bombardeando os brasileiros. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo! Por se tratar de tática de guerra de informação, as ações coordenadas não são aleatórias, buscam exaurir a capacidade de raciocínio lógico, portanto, direcionar a opinião pública. Mas essa manipulação apenas era possível num Brasil analógico e de informação centralizada. Todo esse preâmbulo se refere ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Para tentar emplacar mais esse tributo, o governo federal quer convencer de que o IOF só tira dinheiro do que chamam de “super ricos". Esse discurso ficou anacrônico. Lula fez carreira promovendo a luta de classes. Entretanto, a técnica malandra de “afanar a carteira e gritar pega ladrão’” não funciona mais. Culpar os “bilionários" ou os “super ricos” já funcionou como “apito de cachorro” para a...

🔵 Sexta Série de quinta categoria

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  Esperei a bomba estourar no último segundo. Chegou o fatídico momento que vazaria a péssima notícia. Meu pai foi comigo até a escola para conferir o resultado. Eu sabia que na lista estava meu nome acompanhado da palavra REPROVADO. Eu já sabia do inédito resultado, mas tive que fingir alguma surpresa e indignação. A minha interpretação deve ter sido tão convincente quanto Nicolas Cage interpretando Hamlet. Repetir a sexta série não seria a catástrofe que imaginei, a notícia foi o pior. O maior temor era relaxar de vez com os estudos e viver num subemprego ou, pior, desempregado e sem grana.  Tinha a opção “puxar carroça”, que era uma maneira menos agressiva de chamar alguém de “burro”.  No fim, essa repetição da sexta série renovou as amizades, deu novo fôlego aos estudos e proporcionou uma experiência que talvez eu não tivesse na sétima série. Ano de campeonato “interclasse” de futebol e de eleições para prefeito e vereadores. Olhando bem, aqueles alunos rejeitados pel...

Nunca mais

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 Uma das coisas mais ridículas e inócuas que alguém pode fazer é votar por telefone para uma música entrar no “hit parade”, “as ++” ou “as mais pedidas". Mas, ignorando as leis do mercado, eu resolvi influenciar o ’Disk MTV. Somando a inocência da pouca idade, o entusiasmo por conseguir sintonizar a recém-criada MTV brasileira e a ansiedade por querer assistir ao clipe novo do ‘Faith no More, fui ao telefone público.  Eu realmente achava que a minha ligação faria diferença no ‘Disk MTV’, trabalho que a indústria fonográfica já devia ter feito. Aquele gesto realmente parecia importante para emplacar o videoclipe e dar um empurrão para o sucesso do grupo. Embora meu gosto musical ainda não fosse dos mais apurados, eu não podia ser cobrado pelo barulho e destruição do clipe’ Falling to Pieces’. No entanto, eu estava decidido a interferir na programação da “music television ". Parti, acreditando que o meu voto era imprescindível para a execução daquele videoclipe. No Rio Grande d...

Lula e a diplomacia do bobo da corte

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L Lula sempre lança a cartada do presidente do povo. É o seu coringa. Tudo bem, sabemos que a estratégia do “nós contra eles” sempre servirá para ganhar aplausos, votos e empurrar algum novo imposto. Mas qual é o conceito que os petistas fazem do que chamam de “popular”? Deve ser esse conceito que produziu o nosso “Bobo da Corte” diplomático. Dizem comentaristas, mais atentos e observadores, que o presidente do Brasil, depois do almoço, surge mais alegre, sem freio moral e, embora a recíproca não seja verdadeira, “o melhor amigo de infância” de presidentes, reis e tiranos. O Brasil está assombrando o mundo com Lula e suas maluquices. Sempre muito descontraído, nosso mandatário ri alto, com sua voz rouquenha e ultrajante, fala fora de hora e executa performances que devem encher a Janja de orgulho e devolver a autoestima a Nicolás Maduro. A cereja do bolo da diplomacia de boteco: em fotografias oficiais, quando todos os líderes evitam demonstrar gestos com a mão, nosso pequeno Lula já l...

Salvem as girafas da Amazônia

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  Está circulando um vídeo no qual artistas, que eu nunca vi, suplicam pela transferência de um tal Sandro. Sandro é um elefante do zoológico de Sorocaba. Não parece que Sandro precise ser transferido; também não parece que os artistas saibam de quem se trata, já que foram pegos de surpresa, como num avião. Talvez, nem essa turma saiba mesmo quem é o Sandro. Talvez, não sabiam sequer que é um animal. Talvez, não conheçam Sorocaba. Em um trocadilho inevitável, eles diriam sobre o elefante: Nunca vi mais gordo. No entanto, está tudo certo, poucos sabem quem são eles, estes gênios incompreendidos e incompreensíveis. Aliás, não conheço ninguém que leve qualquer manifestação de artista a sério: nos Anos de Chumbo, os artistas tinham o que dizer, mas, atualmente, dominando estética e técnicas boas, contradizem seus argumentos pseudo ambientais e não fazem nada que não leve a bons contatos e ganhos financeiros. Artistas com alguma fama defendem a grandiosidade da mundialmente famosa Flore...